Vinho sob trilhos na serra gaúcha

Além de ser uma das regiões mais belas do Brasil, berço da colonização italiana no País, a serra gaúcha fascina por seus sabores. Entre tantos predicados gastronômicos de quem vive por lá, o vinho é um dos mais representativos. E é na serra, em Bento Gonçalves, o ponto de partida para um divertido e delicioso passeio de trem feito pela velha e boa maria-fumaça. O trem, aliás, é uma desculpa para se conhecer intimamente a mais promissora região vinícola do País.

Conhecida como a capital nacional do vinho, Bento Gonçalves destaca-se no cenário turístico nacional e já figura como um dos grandes destinos de enoturismo do Brasil.
Já na plataforma de embarque, os turistas são recepcionados na estação de Bento Gonçalves com uma degustação de vinhos ao som de músicas regionais. Ao tocar do sino, é hora de embarcar nos carros de passageiros (isso mesmo carros, vagões são para transporte de carga). Aos poucos, os assentos vão sendo ocupados por famílias e suas crianças animadas e casais de namorados apaixonados que seguram suas taças com muito brilho nos olhos. Ao terceiro sinal do velho sino, a maria-fumaça começa a se movimentar lentamente, e a paisagem vai se moldando à neblina e ao frio de quase nove graus, que envolve todo trem.

Estação de Bento Gonçalves
Estação de Bento Gonçalves

São 23 quilômetros, saindo de Bento Gonçalves, passando pelos municípios de Garibaldi e Carlos Barbosa em um trajeto de duração aproximada de 1h30. Durante o passeio, os viajantes são surpreendidos com apresentações musicais e encenações teatrais. Bento Gonçalves é conhecida por ser a região que mais produz vinhos e espumantes do Brasil. Então, durante o percurso, a paisagem é emoldurada por muitas vinícolas familiares e de renome internacional e casas da época em que os imigrantes italianos chegaram ao local, em 1875. Muitas dessas casas ainda encantam com suas chaminés fumegantes, sinal de que alguma comidinha está sendo preparada. Às vezes, dá vontade de descer do trem e, quem sabe, ter a sorte de provar uma das muitas delícias da mesa gaúcha.

Os turistas, munidos de suas máquinas fotográficas e smartphones registram todos os momentos da viagem, muitas vezes saindo na janela para conseguir o melhor ângulo e levar para casa memórias de um passeio inesquecível. Durante o percurso há um serviço de bordo, que oferece bebidas, algumas comidas industrializadas e guloseimas, feitas por pequenos produtores locais.

Degustação de vinhos e espumantes produzidos na serra gaúcha
Degustação de vinhos e espumantes produzidos na serra gaúcha

Primeira parada
Na primeira parada, em Garibaldi, mais uma vez o turista é recebido com taças de espumantes, além de suco de uva. Estar na estação é como voltar no tempo, no qual a pressa não existia, enquanto se visita uma sala, onde são guardadas roupas antigas e peças que recordam parte da história da ferrovia, como maquinários e ferramentas utilizadas na época do auge do transporte ferroviário.

Grupo faz apresentação durante o percurso
Grupo faz apresentação durante o percurso

Em Garibaldi fica o Vale dos Vinhedos, representação do legado histórico, cultural e gastronômico deixado pelos imigrantes italianos. Ao longo do roteiro, é possível visitar pequenas propriedades rurais, vinícolas familiares, muitas delas reconhecidas internacionalmente. O visitante paga um valor estipulado e pode degustar dos bons vinhos e espumantes locais sempre acompanhados por algum petisco.

Ponto final
O passeio termina em Carlos Barbosa com música italiana ao vivo. O passageiro pode escolher em fazer o trajeto de ida e volta de trem, ou voltar de ônibus.

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

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