Toronto é destino para todos

No mês de junho, Toronto recebeu a WorldPride, maior parada de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros (LGBT) do mundo. A manifestação, realizada pela primeira vez em um país norte-americano, reuniu milhares de pessoas, entre ativistas, movimento LGBT organizado e simpatizantes. Foram nove dias entre conferências, palestras, atividades culturais e shows que culminaram com uma marcha pelas principais ruas do Centro. A WorldPride, que contou com apoio de empresas privadas e do governo, reafirma a vocação do Canadá, e principalmente de Toronto, como um destino aberto a diversidade, seja ela sexual, étnica ou religiosa. Não é à toa que o Canadá figure como o país que mais recebe novos moradores. Atualmente, mais de 170 etnias vivem sobre o mesmo solo e o principal, em total harmonia.

Como um destino tão acolhedor, a quarta maior cidade da América do Norte vem ganhando destaque entre turistas. Em 2013, Toronto bateu recorde de visitantes estrangeiros e de pernoites. Só no ano passado, 1.42 milhão de pessoas desembarcaram na cidade. Porém, o número é ainda maior, uma vez que a pesquisa do Turismo de Toronto não incluiu visitantes dos Estados Unidos. No total, a metrópole contabilizou 13.69 milhões de pernoites, o que representa 69.3% da capacidade de hospedagem. O índice é inédito na história de Toronto. E o Brasil tem uma grande parcela no crescimento do turismo no Canadá. No ano passado, 79 mil brasileiros embarcaram para o país. No Canadá, os brasileiros deixaram US$ 160 milhões. Em média, cada pessoa gastou US$ 1,9 mil, o maior gasto frente a todos os visitantes de outras nacionalidades. O brasileiro também é o que mais permanece, com 19,5 noites.

De olho no turista que mais gasta e mais fica, o país articula ações para ampliar o desembarque de brasileiros por lá. Órgãos como a Comissão Canadense de Turismo (CTC em inglês) esperam elevar para 900 mil/ano o número de turistas do Brasil. O país terá de brigar com outros destinos pela atenção dos brasucas. EUA, Inglaterra, Peru, Austrália e Nova Zelândia são os países mais visitados pelos brasileiros atualmente. Entre os primeiros passos nessa briga estão a desburocratização do visto, além da oferta de novos voos.

Pela nova regra, além da facilidade de solicitar visto através da internet, o brasileiro que viajou aos EUA nos últimos 10 anos terá uma espécie de pré-aprovação do documento. Não é uma garantia, porém é um facilitador da parte burocrática, isentando, por exemplo, a apresentação de comprovantes financeiros. Um gargalo para o Turismo de Toronto e obstáculo para quem pensa em viajar para lá é a oferta de voos diretos. É quase rotineiro não encontrar vaga na única aeronave que faz o trecho São Paulo-Toronto. A Air Canada vem tomando algumas medidas para minimizar o problema. Em dezembro, deverá trocar o atual Boeing 767-300 com capacidade para 221 passageiros, por um 777, que transporta cerca de 270 pessoas. No mesmo mês, a companhia aérea começa a operar 3 voos semanais (quartas, sextas e domingos) entre o Rio de Janeiro e Toronto. Outras companhias entraram na disputa, como a Copa Airlines, que passou a oferecer voos para Toronto e Montreal através de seu hub na Cidade do Panamá. Outras opções são as companhias dos EUA, que estudam aumentar frequencias entre Brasil e Canadá com conexões nas principais cidades estadunidenses. Vale lembrar que neste caso, é preciso ter visto americano.

Se ainda não figura entre os principais destinos para o turista brasileiro, o Canadá ocupa a primeira posição entre estudantes que querem estudar no Exterior. De acordo com a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais, o alto nível da educação, além da qualidade de vida, fazem do país o mais procurado. Outra pesquisa, da Canadá Intercâmbio, mostra que os cursos de inglês com duração de até seis meses são os mais procurados pelos brasileiros, seguidos pelos programas de estudo e de trabalho. “Um mês de curso no Exterior equivale, em conteúdo, a um semestre de curso regular no Brasil, sem contar o aprendizado cultural e a imersão 24 horas no idioma”, observa a diretora da Canadá Intercâmbio, Tayana Damiani. Diante deste panorama tão focado no turista e estudante do Brasil, o Canadá se torna cada vez mais próximo. E quem visita o país pela primeira deve começar, é claro, por Toronto.

Roteiro em bairro gay tem baladinhas
À parte do tradicional circuito turístico, Toronto tem uma série de lugares incríveis para conhecer, a maioria em Church & Wellesley, local conhecido como Gay Village. Na moda e muito valorizada, na região não é difícil esbarrar com casais gays de mãos dadas e a atitude sequer chamar a atenção de quem está ao lado e tenha outra orientação sexual. Por isso, Toronto tem um dos menores índices de homofobia no mundo. A região de Church & Wellesley abriga uma série de bares, restaurantes, galeria e clubes noturnos superdescolados. O bairro deve ser explorado por todos os tipos de turistas, independente da orientação sexual.

A região também abriga locais muito interessantes para visitar, como a estátua de Alexander Wood, considerado o primeiro gay a morar na região, após ter sua orientação heterossexual contestada em um escândalo ocorrido no século XIX, ao examinar pessoalmente órgãos genitais de homens acusados de um suposto estupro. Em Church & Wellesley também fica o Cawthra Park, onde está o Aids Memorial, monumento que homenageia as primeiras vítimas do HIV no país. Ali também fica o bar Woody’s, que foi cenário da série de TV Queer as Folk.

Imagem positiva
O Canadá é, entre os países norte-americanos, o que tem a percepção mais positiva dos internautas brasileiros. Quase oito em cada 10 (79%) usuários de internet do País têm uma imagem muito favorável do Canadá, de acordo com pesquisa realizada pelo painel online Conecta-i (www.conecta-i.com) com mil internautas. O país também lidera na opinião mundial acerca dos países das Américas: 74% dos 66.806 entrevistados na pesquisa Barômetro Global de Otimismo, realizada pela Worldwide Independent Network of Market Research (WIN) em 65 países, têm uma imagem muito positiva do Canadá.

Centro tem diversas atrações que podem ser visitadas a pé
Quem conhece Nova York vai encontrar na metrópole canadense uma versão menos enlouquecida da “Cidade que nunca dorme”. Toronto tem tudo que o turista brasileiro procura: grandes museus, bairros descolados, boa gastronomia e centros de compras com preços para todos os bolsos.  Quem gosta de história natural deve ir ao Royal Ontario Museum, o ROM. No quarteirão entre a Bloor Street West e Queen’s Park, o museu tem uma grandiosa coleção com exposições permanentes e temporárias. Fica aberto todos os dias do ano, com exceção do Natal. Informação em: www.rom.on.ca. A região do ROM abriga ainda outros espaços que devem ser visitados, como o jardim do Queen’s Park e a Universidade de Toronto. Dá para ir a pé.

 

Outro museu que não pode faltar no itinerário é o Museum of Contemporary Canadian Art (Mocca). Apostando em novos artistas e exibindo ícones da arte pop, o espaço é um retrato fiel da arte popular canadense, mergulhada na mescla de etnias, crenças e credos. O espaço tem também obras de artistas de outras nacionalidades. O Mocca fica na 52 Queen Street West. Informação em: www.mocca.ca
A Casa Loma é outro lugar especial para ver. O castelo erguido pelo industrial Henry Mill Pellattt, está aberto a visitação pública e enche os olhos com seu estilo gótico e superextravagante. A melhor época de visitá-lo é na Primavera, quando as flores de seus impecáveis jardins estão desabrochando. Em outras estações do ano, o castelo também vale uma visita. A Casa Loma tem uma agenda cultural durante todo o ano, que em sua maioria, pode ser visitada. O castelo fica em 1 Austin Terrace e só fecha no dia 25 de dezembro. Informação em: www.casaloma.org.

Ir a Toronto e não subir na CN Tower é como ir a Roma e não ver o papa. A torre, que se tornou a identidade internacional da metrópole, tem 342 metros de altura e o ápice da visita é caminhar sobre o piso de vidro. O ponto, sempre apinhado de gente, dá uma vertiginosa e privilegiada visão da cidade. O visitante pode ainda ver Toronto em 360 graus no deck de observação. Para transformar o passeio de aventura em charme, basta escolher uma mesa no restaurante giratório, instalado no ponto mais alto. A casa gira vagarosamente, revelando o horizonte até onde a vista alcança. A visita a CN Tower pode ser combinada com o recém-inaugurado Ripley’s Aquarium of Canada. Instalado bem no Centro, o aquário é o maior do Canadá, com mais de 16 mil espécies marinhas. O espaço fica aberto 365 dias do ano. Informação em: www.ripleyaquariums.com/canada

Bem ao lado do aquário fica o Rogers Centre, o estádio do time de baseball, Toronto Blue Jays. O Rogers Centre tem como atração o teto retrátil, chamado de SkyDome, que abre, principalmente nos dias ensolarados e fecha para proteger seus visitantes do frio e da chuva.

A região central é repleta de pontos turísticos que não devem passar batidos, como o St. Lawrence Market, na 95 Front Street East. Bom para ver como os locais fazem suas compras, o mercado tem de tudo um pouco, de bugigangas made in china, a queijos finos, carnes nobres e vinhos. Uma iguaria típica do local é o sanduíche. O mais tradicional deles é o Peameal Bacon, servido há mais de 30 anos na Carousel Bakery & Sandwich Bar. Antes de sair, visite a feira de artesanato no subsolo. De roupa indiana a temperos asiáticos, a feira é uma mistureba com coisinhas interessantes e simpáticas para levar pra casa.

Batendo perna pelo Centro, passe pela Prefeitura. O prédio ultramoderno fica ainda mais bonito durante o Inverno, quando recebe uma pista de gelo ao ar livre. Durante o Verão, o gostoso é sentar e apreciar o lago e a fonte, bem em frente ao edifício. Sempre há alguma programação cultural ou esportiva e muita gente fica ali para simplesmente aproveitar os raios do sol. Por fim, bem próximo da Prefeitura fica o Eaton Centre, o maior shopping do Centro. Paraíso do turista que adora comprar no Exterior, o centro na Yonge Street 220 tem 230 lojas, entre elas as queridinhas dos brasileiros como a americana Best Buy e claro, a Apple Store, entre outras de grifes internacionais e marcas canadenses, além de restaurantes e lanchonetes.

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

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