Suíça é guardiã de rica biodiversidade

A Suíça é um destino que ainda povoa a mente do turista com alguns estereótipos. Talvez, o resumo que melhor traduza essas distorções sejam: relógios, bancos, chocolate, Alpes, vaquinhas leiteiras, o Festival de Montreux e custo de vida elevado. Outro dia ouvi alguém contando sua experiência em uma curta viagem ao País. “Você sabe quanto custa um pão? R$ 35 reais!”, disse, causando um espanto coletivo para quem o ouvia. E emendou afirmado que tudo na Suíça é absolutamente caro, além de frio. Me contive em tentar dar o meu ponto de vista, talvez porque ele não tenha conhecido distintos aspectos do destino. Agora me diga, e que lugar no mundo — com a crise que assola o planeta — não está caro para o brasileiro? Nós sentimos isso dentro do nosso próprio País. E olha que apesar da cotação do dólar, em quase R$ 4,00, ainda sai mais barato passar férias em Miami do que no Nordeste.

Castelo de Chillon, na região de Montreux

Voltando à Suíça, a questão “preço” funciona como em qualquer lugar. Se o turista quer um hotel mais confortável, comer em um restaurante melhor e aproveitar a vida cultural e turística do destino, é claro que gastará mais. Já quem não quer (ou não pode), a Suíça também tem o seu lado mochileiro, com opções de hostéis mais em conta, lugares baratos para comer e dias em que museus abrem de graça. Na verdade, tudo depende do orçamento. Mas vamos combinar que, ao embarcar para um destino tão fascinante quanto a Suíça, deixar de colocar nos planos visitas a sítios onde a vista se cansa de tanta beleza, melhor nem ir.
A Suíça é pequena. Na verdade, ocupa apenas exatos 41 mil quilômetros quadrados, mas tem uma gigantesca lista de opções para se ver e provar, desde os esportes náuticos, de neve, paisagens alpinas, vilas charmosas nas montanhas e uma saborosa culinária. E o país tem corrido o mundo para divulgar o Gran Tour of Switzerland (O Grande Tour da Suíça), uma espécie de roteiro turístico que envolve diversas regiões, promovendo gastronomia, os costumes e toda sua riqueza cultural. A principal porta de entrada para o país é Zurique. Se o turista pretende conectar-se com a modernidade, então deve ter em mente explorar a maior e mais movimentada cidade suíça, ou então seguir para Genebra, ou Berna, a capital, ou ainda a cultural Montreux. Porém, neste tour que o Turismo realizou pelo país europeu, fomos direto a Lausanne, na região do Lago Genebra.

Nos dias ensolarados, o ideal é alugar um carro conversível e pegar a estrada para conhecer Morges e Nyon

O destino é uma boa opção para praticar o francês, já que é a capital do Cantão de Vaud, uma das regiões francófonas da Suíça. Lausanne, que está a aproximadamente 60 quilômetros de Genebra, é uma cidade bem progressista, apaixonada por design e arquitetura, além da boa comida. Um giro pela cidade não deve deixar de fora a University of Art and Design, onde se desenvolvem projetos inovadores ligados a arte e design. Quem quiser levar para casa alguma peça, pode visitar lojas especializadas. Elas estão por todo o Centro. A passagem pela cidade também não deve deixar de fora a Catedral Protestante de Nossa Senhora de Lausanne (Catédrale protestante Notre-Dame de Lausanne), erguida em uma das partes mais altas do município. Sua construção em estilo gótico data do ano 1.170, mas só foi consagrada em 1.235. Além de sua majestosa arquitetura, a igreja mantém uma agenda cultural com concertos de órgão. O templo conta com um instrumento desenhado pelo italiano Giugiaro, um dos mais célebres da Europa.

Descubra cada pedacinho do Vale do Joux
A viagem segue para Vale de Joux, ou Vallée de Joux, em francês. Quer ter um encontro com uma paisagem de tirar o fôlego? Passe uns dias aqui. Na região fica o Jura Vaudois Nature Park, ou Parque Natural da Jura, um dos mais belos de toda a Suíça. Encostas arborizadas, florestas, planícies e pastagens propiciam caminhadas e passeios de bicicleta. O parque conta com aproximadamente 400 quilômetros de trilhas para serem exploradas pelo turista. Pelo caminho é possível visitar também queijarias, chamadas de Buvettes d’Alpage, que servem, além dos tradicionais (e deliciosos) queijos alpinos, bebidas típicas. Uma das maiores atrações do vale é o Lago de Joux. No Verão, o espelho d’água é um conhecido destino de banhistas e também para esportistas náuticos, com destaque para surfe. No Inverno, as águas congelam, atraindo patinadores. E não se preocupe se você não é profissional, o importante é deslizar e se divertir. Falar de Suíça e não lembrar de relógio é como esquecer a Estátua da Liberdade em uma viagem a Nova York. E o Vale de Joux concentra a mais fina arte da relojoaria. Não deixe de visitar o Museu do relógio L’Espace Horloger em Le Sentier (https://www.espacehorloger.ch).

Peak Walk: ponte estreita a quatro mil metros de altitude

O lugar oferece uma visita que passa por uma antiga oficina, além de uma preciosa coleção de relógios. A vila de Le Sentier é o lugar para quem aprecia relógios com a mais alta precisão, tecnologia e beleza. Há lojas para todos os tipos de compradores; dos que gostam de esportivos aos mais tradicionais e delicados, do feito à mão ao industrial. Do vale, seguimos em uma viagem de conversível para Morges e Nyon, pertinho de Lausanne. Bem, fizemos isso no Verão. No Inverno rigoroso da Suíça, melhor optar por um carro comum, no máximo com teto solar. As duas cidades à beira do Lago Genebra são destinos para enófilos e para quem gosta de comer peixe. Na Route du Vignoble de la Cote (rota do vinhedo da costa), em Nyon, é possível experimentar rótulos locais, além de degustar pratos com peixes típicos do Lago Genebra. Informação sobre vinhos suíços em: http://deluze-vins.ch.

Outro lugar para ver nesse passeio é a Trilha Toblerone, que são fortificações antitanques em formas triangulares, utilizadas pela Suíça durante a Segunda Guerra Mundial. Já a pequenina Morges tem um Centro charmoso, e como na maioria das cidadezinhas suíças, tem as ruas fechadas para os automóveis. Ali é o lugar certo para comprar lembrancinhas, além de relógios e artigos bem típicos. Entre os lugares para visitar estão o Castelo De Morges (www.morges-tourisme.ch/en/culture-patrimony/castles/castle-morges), que abriga os museus militar, figuras históricas de estanho, artilharia e o museu da polícia. Esportistas encontram em Morges ótimas atividades ao ar livre, como a prática de stand up paddle no Lago Genebra ou golfe, na Cidade do Golfe. Informações em www.passion-nautique.ch. Entre maio e abril, Morges sedia o Festival da Tulipa, com exposições de diversos tipos da flor. Outro lugar incrível para visitar é o Castelo de Prangins (www.nationalmuseum.ch/f/prangins). Desde 1998 a construção faz parte do Museu Nacional Suíço. Em estilo francês, o castelo foi erguido em 1730 e teve moradores ilustres como Voltaire, mas acabou virando um internato. Hoje, abriga exposições dedicadas à história recente do país, especialmente dos séculos 18 e 19.

O grande garfo anuncia o Alimentarium, em Vevey

Adrenalina pura no topo do mundo
A viagem continua, mas de trem. Deixamos o carro conversível em Morges e seguimos rumo a Col du Pillon, região na montanha que reúne as vilas de Les Diablerets e Gstaad. Pela janela, mais paisagens deslumbrantes dos Alpes e das margens do Lago Genebra, passando por Montreux e Saanen. E, mesmo depois de tanta beleza vista da janela do trem, ainda é possível se surpreender com a Suíça.

Em Diablerets fica o Glacier3000 (www.glacier3000.ch), estação de onde se toma um teleférico que sobe a quatro mil metros de altitude, de onde é possível avistar mais de 20 montanhas, entre elas as emblemáticas Mont Blanc e Matterhorn. É impossível não se impressionar com tamanha beleza natural. Os mais corajosos devem participar da Peak Walk, uma ponte suspensa que conecta dois picos das montanhas.

No Verão, o Lago Joux atrai turistas que apreciam os esportes náuticos

A passagem de 107 metros de comprimento e 80 centímetros de largura oferece uma incrível vista. Outra atração é o Alpine Coaster, um tobogã de seis metros acima do solo e perto do precipício; adrenalina pura. Quem não quer tanta emoção pode tomar o ônibus Ice Express e explorar a geleira com mais conforto e menos frio. O final do trajeto pode terminar com uma boa comida e um vinho para aquecer. A estação conta com o Botta, restaurante projetado pelo renomado arquiteto Mario Botta.

Outro programa gostoso na região é tomar um trem até Vers-l’Eglise, a menos de 50 minutos. Em Vers-l’Eglise visite o Museum of Les Ormonts by Mary-Claude Busset (www.museeormonts.ch), que guarda história e lendas. Aproveite para provar a Le Bitter des Diablerets, a bebida local (contém álcool). No mesmo dia é possível ir a Aigle, vilarejo simpático e bom para tomar vinho. O lugar tem um museu dedicado à bebida, o Wine and Vine Museum (www.chateauaigle.ch). Vale a pena visitar.

No dia seguinte, seguimos para Villars, como o nome próprio diz, uma vila. Aconchegante, a cidadezinha é repleta de chalés e conhecida por suas pistas de esqui. Mas a paisagem de Villars é uma atração à parte, como a do Lago Bretaye, onde está estabelecida um tradicional vilarejo alpino, oportunidade para entrar em contato com os costumes próprios da região. Um lugar charmoso para conhecer é o Club House of Villars Golf Club (www.golf-villars.ch), a 200 metros de altitude. Lá de cima é possível, além de jogar golfe, almoçar, tendo uma das mais belas vistas panorâmicas desse passeio e, de onde se vê o pico do Mont Blanc. Para quem não tem intimidade com o jogo, o clube oferece aulas privadas ou em turma com um instrutor.

Estátua de Freddie Mercury em Montreux

Queen
Nessa rota que inclui Montreux, um dos pontos de parada obrigatório é o memorial em homenagem a Freddie Mercury, onde fica, desde 1996, uma estátua em bronze do cantor. O ex-vocalista da banda inglesa Queen, morto em 1991, mudou-se para a cidade e lá comprou um estúdio onde gravou com seu grupo o último trabalho, Made in Heaven. A história de Freddie e Montreux, no entanto, é bem antiga. Em 1978, o Queen participou do Montreux Jazz Festival e o artista se apaixonou pela região. Freddie vivia em um flat com vista para o Lago Genebra. Seu estúdio, o Mountain, acabou se transformando em uma espécie de museu e lugar de peregrinação. O Queen – The Studio Experience (www.queenstudioexperience.com), tem entrada é gratuita. Se você é fã do Queen, faça como os locais, preste homenagem ao cantor com algumas flores.

Nossa viagem termina em Bex, cidadezinha perto de Montreux. A principal atração do lugar são as minas de sal. Descoberta no século 15, a salina está ainda em operação. O tour explora uma das minas que está desativada. Dentro da caverna, o turista pode ver, através de uma apresentação, mais de três séculos de escavação do sal. Em seguida, há um passeio guiado a pé e de trem até uma parte bem profunda. Não aconselho a quem sofre de claustrofobia, mas não deixa de ser interessante e, quem diria estar dentro de uma mina no meio dos Alpes? Muito diferente, não? E é essa diversidade de paisagens e sítios que torna a Suíça um país tão distinto e que vai fazer você querer voltar para muitos outros grand tours.

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

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