Roma: uma cidade tipicamente brasileira

Apesar de costumes e culturas distintas, é impossível negar a ligação que temos com os portugueses. Afinal, foram eles que descobriram, em 1.500, estas terras do outro lado do Oceano Atlântico, e que mais tarde ganharam o nome de Brasil. Quinhentos anos se passaram e nossa relação com Portugal é muito afetiva, seja pela culinária e pela herança do idioma. Talvez, por isso, seja tão cativante para um brasileiro fazer o caminho inverso e conhecer Lisboa, uma das cidades mais belas da Europa.

Mas o Brasil não é obra apenas dos portugueses. Muito de nossa cultura está conectada a quem chegou aqui tempos depois e se estabeleceu, como os italianos. Costumo dizer que, apesar de falarmos o idioma luso, nossos hábitos cotidianos parecem muito mais ligado à cultura italiana. Falamos alto, gesticulamos muito e falamos muitos palavrões, num bom e mal sentido, é claro. Algo que deveria – ou foi – não sei dizer -, tema de estudo acadêmico.

Então, tão emocionante quanto desembarcar na terra natal de Pedro Alvares Cabral (leia aqui posts de Portugal), é visitar a Itália. Uma amiga certa vez me disse que, ao viajar de Madri a Roma, soube assim que atravessou a fronteira italiana. Bastou ver da janela do trem varais cobertos de roupa a secar ao sol, além de uma certa “desorganização”, típica italiana e, tão típica brasileira.

Minha “conquista” do País da Bota começou por San Severino, uma pequenina cidade na região de Marche, cuja tradução “Marcas”, tira toda a beleza que o singelo lugar tem (Leia aqui o post sobre San Severino). Mas, todo turista deveria começar sua aventura italiana por Roma. E não apenas por que a Cidade Eterna seja a capital , mas porque Roma é considerada o berço da civilização ocidental. Muitas respostas sobre quem somos, nossos costumes e nossa própria cultura, podem ser encontradas neste destino deslumbrante.

Gladiadores: cilada

O problema para um jornalista de turismo é, sem dúvida, escrever sobre Roma. O que falar de uma cidade com tamanha história? Lugar retratado através dos tempos pela música, literatura, pintura, artes plásticas, religião etc. Por isso, por mais que se descubra um novo recanto, é praticamente impossível fugir do óbvio. Talvez, o que eu possa falar de mais relevante e autoral sobre Roma, seja que tipo de cidade o visitante encontrará ao desembarcar no Fiumicino, Aeroporto Internacional Leonardo da Vinci.

Sinta-se em casa
Sabe o “jeitinho brasileiro”? É bem provável que tenhamos herdado esse costume dos italianos. Esqueça a rigidez de outros países, ou os lugares onde tudo parece funcionar como um relógio suíço. A Itália é tão descontraída, e um tanto quanto caótica como o Brasil. Após 11 horas de voo entre São Paulo e Roma, ainda no aeroporto, o visitante pode ir experimentando algumas italianices bem conhecidas por aqui, como um café deliciosamente preparado na moka, uma pizza caprichada (apesar de já bem pasteurizada pelo fast food way of life) ou um gelato. Pode até ser algo pronto para turista, mas não deixa de ser gostoso. Para quem fuma, no país há lei antifumo, mas basta alguns passos da porta do terminal e não é difícil se deparar com gente baforando.

Piazza Venezia: uma das mais belas de Roma

Meu primeiro contato com o estilo italiano de viver se deu ainda no aeroporto, ao comprar um simcard para meu celular. Simplesmente não funcionou! A resposta do atendente: “Uma hora funciona”. Mais brasileiro, impossível. Para encurtar a história, o simcard de fato funcionou, mas após duas idas à loja, reclamações e exatamente um dia antes da minha partida. Vinte e cinco euros desperdiçados. É preciso não estressar, afinal, é essa atmosfera que faz a Itália tão especial.

Saindo do aeroporto
Em Roma, felizmente opção é o que não falta para se deslocar do aeroporto ao Centro. Entre elas estão:
– Táxi (aproximadamente 50 euros com a bagagem incluída);
– Trem expresso (linha Leonardo da Vinci Express) até a Estação Termini (central)
– Trem metropolitano (Linha FR1)
– Ônibus (Há várias linhas que ligam o aeroporto a Estação Termini)

Para os cristãos, durante a Páscoa a visita é ainda mais especial, seja pelas aparições mais frequentes do papa, ou pelas missas e procissões que celebram a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo.

Roteiro básico
Durante a Semana Santa, que começa no próximo dia 9 de abril, um Domingo de Ramos, a Europa já estará em plena Primavera. Notícia boa, principalmente para quem não gosta de frio. E, principalmente na Itália, que viveu um Inverno atípico com temperaturas baixíssimas e muitas tempestades de neve. Roma tem inúmeras atrações e isso, claro, é um pretexto para voltar muitas vezes. Para organizar melhor a visita, uma dica é comprar o Roma Pass. O passaporte facilita a vida do visitante ao proporcionar acesso ilimitado ao transporte público, dar descontos na compra de entradas de atrações turísticas e permitir acesso VIP a elas, evitando filas. O turista pode comprar o passaporte na internet no site oficial (www.romapass.it) e retirar o cartão físico no posto do Roma Pass no aeroporto.

Transporte Público
Se você é do tipo que não gosta de andar de metrô, em Roma terá de mudar um pouco de opinião. O trânsito na cidade é tão caótico que a melhor (e menos estressante) maneira de se locomover é a pé ou de transporte público. Não caia na armadilha de alugar um carro se ficar apenas na capital. Não aconselho nem mesmo táxi, ou boa parte da estadia será dentro de um carro. Uma dica: Enquanto os pontos turísticos mais centrais podem facilmente ser alcançados a pé, o metrô é um trunfo para os mais distantes.

Cilada
Evite tirar fotos com pessoas vestidas de antigos romanos e gladiadores. Eles cobram caro e não desgrudam até receberem o dinheiro. Evite também bares e restaurantes muito próximos dos pontos turísticos. Além de estarem sempre cheios, cobram caro por serviços muitas vezes de regular a ruim. Se for comer pizza, fique de olho se a pizzaria ou restaurante tem forno a lenha, caso contrário você poderá comer algo requentado no micro-ondas.

Uma dica: Não jogue fora a garrafa d’agua. Após consumir, encha-a novamente nas inúmeras fontes de água potável espalhadas pela capital. Afinal, Roma é conhecida como a cidade com o maior número de fontes no mundo.

Coliseu: simbolo de Roma para o mundo

Coliseu
Assim como a Torre Eiffel é o símbolo de Paris, o Coliseu é a marca de Roma. A construção, datada de 72 d.C., foi palco de lutas entre gladiadores e feras. Por ser o lugar mais visitado da capital, o ideal é comprar ingresso antecipado e chegar cedo. Ali perto ficam outras duas atrações: o Fórum Romano e o Monte Paladino. O ingresso do Coliseu dá direito a visitar os dois lugares. O Monte Paladino guarda muito da história da Roma Antiga e, por isso, um lugar de visita obrigatória. O Fórum é o sítio que abriga um conjunto de construções também da era da Antiga Roma.

Piazza Venezia
Certamente você já viu a Piazza Venezia em algum filme. Ela é uma das mais belas e mais conhecidas da cidade. Fica na interseção de avenidas movimentadas como a Via dei Fori Imperiali e a Via del Corso. A praça é dominada pelo monumento a Vittorio Emanuele II, o primeiro rei da Itália unificada. Na praça também fica o museu Vittoriano, com entrada gratuita. Além de ser a “cidade das fontes”, Roma também ostenta inúmeras praças. Para citar algumas: a da Rotonda, no Panteão; a de Spagna e claro, a Piazza Navona, a mais imponente com a Fontana dei Quattro Fiumi, esculpida pelo artista Gian Lorenzo Bernini.

E por falar em fontes, seria um pecado ir a Roma e não visitar a Fontana di Trevi. O lugar foi imortalizado no filme La Dolce Vita (1960), do diretor Federico Fellini. Na cena mais emblemática do longa-metragem, a atriz sueca Anita Ekberg toma banho em suas águas. O lugar também é conhecido pelo ritual de jogar uma moeda na água. A lenda diz que atirar uma moeda garante um breve retorno a cidade.

Cena de La Doce Vita

Pantheon
Outro ponto de grande visitação em Roma é o Pantheon, um templo erguido para adoração aos deuses romanos, e que também é o lugar onde estão sepultadas personalidades. A entrada é gratuita. A edificação é a única da era Greco-Romana que está em perfeito estado de conservação. Além de visitar o Pantheon, aproveite para apreciar a praça onde fica, um lugar belíssimo.

Vaticano: sede da Igreja Católica

Vaticano
A sede da Igreja Católica é um lugar de incontáveis belezas. A visita começa pela Praça São Pedro, de onde é possível ver o papa em suas audiências públicas, e continua pela Basílica de São Pedro e Museus do Vaticano. Uma dica para evitar filas é comprar o ingresso antecipado para entrar nos museus. Ainda no complexo do Vaticano é possível visitar a emblemática Capela Sistina, lugar onde acontecem as eleições dos papas, conhecidas como conclaves. O tour passa ainda pela Galeria dos Mapas, Salas de Rafael, Galeria dos Candelabros e a Coleção de Arte Religiosa Moderna e Contemporânea.

Roma tem muitos outros lugares para apreciar, mas isso é assunto para um próximo post.

Outros Posts

Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

Leia Também