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Patagônia chilena é destino para se render ao poder da natureza

Patagônia

É bem verdade que nós, brasileiros, adoramos destinos de compras. Miami, Orlando, Nova York estão sempre na nossa lista de desejos. Mas assim como há lugares para gastar muitos dólares e estar conectado nas redes sociais quase que 24 horas por dia, há também destinos cujo propósito é exponencialmente o inverso. E não é preciso ir ao outro lado do mundo para simplesmente contemplar o que há de mais belo neste planeta: a natureza. Esse é o convite que a Patagônia faz ao seu visitante. Esqueça as lojas de grife e o sinal de celular, porque a conexão será inteiramente com lindas paisagens feitas de bosques, riachos e geleiras.

A Patagônia é dividida entre Argentina e Chile, bem ao sul da Cordilheira dos Andes e da América do Sul. Se na Argentina tem destinos conhecidos mundialmente como Ushuaia e a Terra do Fogo, na sua face norte, no Chile, é onde se encontramos recantos ainda mais deslumbrantes e porque não dizer míticos, como a Carretera Austral, estrada de 1,2 mil quilômetros que serpenteia a região, abrindo caminho entre as cidades de Puerto Montt e Villa O’Higgins.

Apesar de parecer um tanto remota, chegar ao norte da Patagônia não é uma tarefa assim tão difícil. O aeroporto mais próximo a Santiago fica na cidade de Balmaceda, conhecida como uma das mais frias do Chile. Mas uma boa notícia, principalmente para quem não se dá muito bem com o frio, como eu, é que, quanto mais nos embrenhamos pela região, mais ameno o clima, principalmente no verão. Mas se você curte frio, então vá no inverno. Vale lembrar que, por estar no sul da América do Sul, é imprescindível levar roupas de frio, mesmo na estação mais quente do ano, roupas impermeáveis (por conta da chuva que sempre cai por lá) e botas para caminhar na terra e no gelo.

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Carretera Austral serpenteia vales e montanhas da Patagônia chilena

Para explorar o norte da Patagônia é preciso ter em mente duas opções: Faça você mesmo ou se hospede em um hotel que dê todo o suporte. Se a escolha for pela primeira opção, será preciso alugar um carro desde Balmaceda e daí ir vencendo as distâncias e conhecendo lugares por sua conta e risco. Impossível não é, mas eu diria que a segunda escolha é a mais confortável. Afinal, não estamos em um destino onde há facilidades como asfalto em todo o caminho, ou postos de combustível aqui e ali, e lembrando, o sinal de celular ora funciona, ora não. Transporte público? Só nas pequenas cidades.

Escolhi me hospedar no Loberias Del Sur, hotel na pequena cidade de Puerto o Chacabuco. São pouco mais de 130 quilômetros de distância, percorridos em mais ou menos duas horas. O interessante dessa opção é o que o hotel oferece serviço de transfer de e para o aeroporto de Balmaceda, e serve como base para todos os passeios. Falarei do hotel mais  adiante, mas, vale lembrar que, estar bem acomodado, com boa comida e vinhos chilenos, é como um bálsamo depois de um dia inteiro explorando a região.

Comecei minha imersão pela natureza de leve, e sugiro o mesmo a quem se interesse em visitar o destino. No caminho entre Balmaceda e Puerto o Chacabuco fica a charmosa Coyhaique. Do alto da estrada é possível vê-la, quase escondida no meio de pampas verdejantes. Típica cidade pequena, tem um centro onde praticamente tudo se resume, com feira de artesanato, bancos e comércio. Não é uma cidade turística, mas deve ser visitada, justamente por revelar como é a vida tão longe de um grande centro urbano e tendo como vizinha, a poderosa Mãe Natureza.

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Cerro Castillo: figuras rupestres

Conhecer a face norte da Patagônia significa se deslocar pelas estradas. Então, todos os passeios vão demandar uma boa parte do dia sobre quatro rodas. E quanto mais distante da base, mais incrível o lugar. Mesmo com muitas horas (as vezes 4 horas para chegar e outras 4 para voltar) o caminho nunca é enfadonho. Monumentos naturais como o Cerro Castillo onde ficam as Rochas das Mãos (figuras feitas por nativos, que deixaram suas mãos pintadas há pelo menos 15 mil anos) e o Rio Ibañez, que rasga um extenso vale, fazem parte do trajeto. Outra comodidade de estar com guias é poder parar em um mirante, apreciar a vista tomando um bom chocolate quente, ou um café, acompanhado de petiscos.

Um dos passeios mais próximos de Puerto o Chacabuco é o Parque Aikén del Sur. A apenas 7 quilômetros de distância, a propriedade privada tem uma área de 250 hectares e uma rica biodiversidade. O visitante pode escolher entre três trilhas, a mais extensa leva aproximadamente três horas e vai até uma parte alta do parque. Escolhi a intermediária, de duas horas, feita de trilhas suaves entre a mata. Me embrenhei pelo bosque húmido e respirei muito ar puro, conhecendo a flora típica da região e, entre uma copa de árvore e outra, avistei pássaros. O fim da trilha reserva a melhor parte do passeio, como uma ponte de madeira sobre um riacho com corredeiras e uma vista majestosa da Cascata Barbas del Viejo. Me deixei molhar um pouco pelo vapor formado pela queda d’água. E depois de gastar muitas calorias, o passeio termina com um almoço regado a pisco sour, vinho e um delicioso cordeiro patagônico assado no fogo de chão.

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Parque Aikén del Sur

Outra reserva que não deve ficar fora do roteiro é o Parque Nacional Queulat. A aproximadamente 175 quilômetros desde Puerto o Chacabuco, o parque expõe cruamente como o homem está mudando a paisagem da Terra. Vítima do aquecimento global, a colossal geleira de Queulat, presa no alto de uma montanha, se desfaz lentamente sobre um lago. O parque oferece navegação pelo lago quando as condições climáticas permitem. No passeio é possível ver de perto a geleira. Para quem não quer se arriscar nas águas geladas, o roteiro segue pela mata, onde é possível apreciar a beleza da fauna e flora. Há um área para alimentação. Quem vai por conta deve levar comida, quem contratou o passeio, os guias preparam almoço em uma especie de tenda, o que é uma facilidade. E a comida ainda vem com pisco e vinho.

Um dos passeios mais cansativos, mas que vale cada quilômetro rodado (são 600 no total, desde  Puerto o Chacabuco), é o do Lago General Carrera (no lado argentino recebe o nome General San Martin. E é neste, que é o maior lago do Chile, que ficam as mais belas obras de arte esculpidas pela natureza: as Catedrais de Mármore. São formações rochosas que há milênios estão em processo de escavação pelas águas. Ao cortar o mármore, a água abre galerias, que de tão amplas, podem ser visitadas em botes. O passeio dura cerca de duas horas e os barcos só saem se as condições climáticas permitem. Ao final, almoço com mais pisco e vinho.

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Capelas de Mármore

Depois de rodar muito pelas estradas, que tal conhecer a região singrando as gélidas águas do sul do Chile? De Puerto o Chacabuco parte o catamarã Chaitén, que leva os turistas em uma longa viagem até a Laguna San Rafael. São quatro horas navegando com todo conforto e refeições e bebidas incluídas. Apesar da distância, a lagoa é dona de um dos monumentos mais impressionantes do mundo, a Geleira San Rafael.

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Botes levam turistas para ver de perto a Geleira San Rafael

O glacial é uma massa de gelo em um área de 700 quilômetros quadrados de extensão, 70 metros de altura e 200 de profundidade. O catamarã Chaitén para próximo ao paredão congelado e oferece passeios mais próximos, realizados em pequenos botes, de onde se observa com segurança o desprendimento de gigantescos blocos. Além da impressionante vista, no caminho, pedaços gigantescos de gelo translúcidos flutuam pela lagoa e ganham tons azulados, conforme são iluminados pelo sol. Na volta para Puerto o Chacabuco, as quatro horas passam rápido para quem gosta de diversão. A tripulação convida os passageiros a soltar a voz em um divertido karaokê e open bar. Quem prefere descansar, pode ficar no primeiro andar do barco, apreciar a vista ou dormir.

Hospedagem

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Hotel Loberias del Sur

Além de oferecer toda estrutura para os passeios pelo norte da Patagônia, o Loberias Del Sur (www.loberiasdelsur.cl) é a base mais confortável na região. Localizado em Puerto o Chacabuco, o hotel quatro estrelas dispõe de apartamentos confortáveis, academia, loja de roupas e suvenires, sauna, piscina e restaurante com menu assinado por um chef. Um ponto favorável é que, mesmo quando o passeio termina tarde da noite, o hotel estende o jantar, para que o hóspede não fique sem refeição. E se o passeio sai muito cedo, como para a Laguna San Rafael (às 7h), o Loberias abre o restaurante mais cedo ou ainda oferece um café rápido no lobby. Outra comodidade é o transfer de e para o aeroporto de Balmaceda. Basta o hóspede informar o horário do voo e o hotel providencia o transporte no momento mais adequado.

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Eduardo Gregori nas Capelas de Mármore

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

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