O lado b de Lisboa

Impossível voltar a Lisboa e não revisitar seu lugares eternizados para o mundo como o Padrão dos Descobrimentos, a Torre e os Pastéis de Belem, o Terreiro do Paço, a charmosa e apinhada Rua Augusta, o descolado Bairro Alto, o Café A Brasileira, ou ainda os tradicionais shows de fado, regados ao bom Vinho do Porto. Se você ainda não conhece a capital lusitana, pode ler meu post para turistas de primeira viagem, mas se já passou por lá e é como eu, se apaixonou pela “Cidade das Sete Colinas”, Lisboa tem sempre algo a mais para se descobrir. Então vamos percorrê-la novamente, desta vez por pontos turísticos recém-inaugurados e por lugares que as vezes passam desapercebidos à vista de quem está focado apenas no óbvio.

Nosso tour começa por Alfama. Em julho de 2015, uma calçada do tradicional bairro lisboeta ganhou um mosaico com o rosto de Amália Rodrigues (1920-1999). A fadista, que se converteu na maior artista portuguesa da história, foi eternizada com outro símbolo de seu país: a pedra portuguesa. A obra de Alexandre Farto, conhecido como Vhils, mostra Amália através do contraste entre o preto e o branco das pedras. À primeira vista pode parecer apenas mais uma imagem desenhada no chão para atrair turistas. Porém, por trás da obra está o minucioso trabalho dos calceteiros, profissão quase em extinção, que está mais para a arte do que para um simples trabalho. De suas mãos formam-se as calçadas mais lindas do mundo, que se espalham por toda Lisboa e Portugal e também no Brasil. As curvas desenhadas do calcadão de Copacabana e Ipanema, no Rio de Janeiro, reconhecidas no mundo inteiro, são obras desses habilidosos profissionais. A cidade de São Paulo até copiou, formando nas calçadas paulistas e paulistanas o mapa do estado.

Amália Rodrigues retratada na pedra portuguesa em Alfama
Amália Rodrigues retratada na pedra portuguesa em Alfama

Bonito é, mas não tem o mesmo charme, infelizmente. Voltando ao mosaico, além da homenagem à fadista e da arte dos calceteiros, o lugar tem uma carga emotiva muito grande e vem se convertendo em um ponto turístico obrigatório, uma vez que Amália Rodrigues, mesmo quase 20 anos após a sua morte, continua a ser uma das pessoas mais amadas de seu país e também do mundo. Seja pelo carisma como pessoa, magnetismo como artista e talento que levou o fado muito além dos mares de Portugal. Para ver de perto essa obra-prima, o mosaico fica na rua de São Tomei, próximo do Panteão Nacional, onde Amália e outros portugueses ilustres estão sepultados.

E se o você quiser conhecer um pouco sobre esse ícone português, é providencial visitar a Fundação Amália Rodrigues, instalada na Casa Amarela, residência de Amália no número 193 da Rua de São Bento, próximo ao Largo do Rato. A casa funciona como um museu que abriga o mobiliário da época em que a fadista habitava o imóvel, além dos vestidos usados por ela em muitas de suas apresentações e aparições públicas. A fundação funciona de terça a domingo, das 10h às 13h e das 14h às 18h. A entrada custa 5 euros. Informação em www.amaliarodrigues.pt

Lisboa 360 graus
Um lugar novinho em folha para visitar é o Miradouro do Amoreiras Shopping Center. O local foi inaugurado no final de abril deste ano e oferece uma vista inédita de 360 graus da cidade e de onde se pode ver desde emblemática Ponte 25 de Abril ao casario colorido tipicamente lisboeta que se esparrama pelas colinas ao porto da cidade. O mirante fica no 18º andar do edifício, a 174 metros de altura. O elevador leva apenas 37 segundos para chegar ao topo. A atração tem a capacidade de receber 50 pessoas simultaneamente, que podem permanecer no local por 15 minutos. O mirante funciona todos os dias das 10h às 12h30 e das 14h30 às 22h – exceto nos finais de semana que não fecha na hora do almoço. O entrada custa 5 euros para adultos e 3 para crianças entre os 6 e os 12 anos. Para quem não desgruda do smartphone ou gosta de postar em tempo real imagens nas redes sociais, a atração conta com wi-fi gratuito. A temporada de visitas deste ano vai até o mês de setembro.

Sem preconceitos
O turista heterossexual, principalmente os homens, normalmente não têm em mente um clube noturno gay como opção para curtir a noite. Mas em Lisboa isso pode ser bem diferente. O Finalmente Club é tão parte da cidade quanto seus pontos turísticos. Aberto desde 1976, o espaço que é pouco maior que um living, é conhecido por shows superproduzidos com, travestis, transformistas e bailarinos conhecidos por toda a Europa. E não estranhe se esbarrar com famosos por lá. Quem esteve recentemente na casa foi a cantora norte-americana Katy Perry. Então deixe de lado o preconceito ou o medo do desconhecido e se jogue no Finalmente. O clube funciona da meia-noite às seis da manhã, mas o horário que ferve mesmo é a partir das três, quando começa o show. Ótima opção para quem já rodou pelos restaurantes, bares e baladinhas do Bairro Alto e ainda tem gás para esticar a noite até o dia raiar. O Finalmente Club fica na Rua da Palmeira, nº 38, no bairro do Príncipe Real, pertinho do Bairro Alto. Informação no site: www.finalmenteclub.com

Uma vista e um drinque
Erguida sobre sete colinas, não se espera outra coisa de Lisboa senão encontrar lugares para ver a cidade de um ponto estratégico. Lisboa cumpre bem esse papel nos seus muitos miradouros, como o do Castelo de São Jorge (sobre a mais alta colina da cidade), o do Jardim de São Pedro de Alcântara e sua bela vista da cidade e do castelo, ou ainda o de Santa Justa, de onde se vê o Rossio, bem no Centro da cidade, mas que também atrai multidões por seu exótico elevador em estrutura metálica e estilo gótico. Porém, um dos mirantes mais belos da cidade passa quase que desapercebido pelos turistas, o do Bar Park. O local fica no topo de um edifício de estacionamento e de lá se tem uma vista privilegiada da Ponte 25 de Abril e parte do Rio Tejo.

Bar Park
Bar Park

Estamos em um bar, certo? Então o charme deste mirante é justamente se sentar, apreciando a vista com um bom drinque. Seja um vinho típico português ou uma cidra gelada, que em Portugal é bastante consumida. Esqueça a ideia de que cidra é bebida brega, lá existem de vários sabores e são deliciosas. Quem não consome álcool pode pedir um café ou um chá, a experiência será tão encantadora quanto. É bom lembrar que, como o espaço é aberto, o ideal é levar um agasalho. Com exceção do Verão lisboeta, que é praticamente tropical, nas outras estações do ano pode soprar um ventinho mais frio. O bar conta com aquecedores, mas o melhor é se prevenir. O horário ideal para ir ao Bar Park é ao por do sol, para assistir a este espetáculo da natureza de um lugar privilegiado. Mas tão belo quanto, é ver a luz do dia indo embora e Lisboa se ascendendo inteira. Se a fome bater, o bar conta com refeições e ainda serve de pré-balada com DJ e lounge music. O Bar Park fica na Calçada do Combro, 58, no Bairro Alto, e abre às 13h, só fechando quando o último cliente sai.

Praias de trem
Nenhuma agência de turismo no Brasil vende Lisboa como um destino praiano, ou pelo menos não é uma prática comum. Para os turistas brasileiros, sinônimo de praia na Europa são as espanholas Ibiza e Barcelona, já na França, a Côte D’Azur e Saint Tropez. Em território lusitano, as praias mais famosas ficam em Cascais, na grande Lisboa e claro, na região do Algarve, conhecida por seu clima agradável e quente durante o Verão europeu e que atrai turistas de toda a Europa e do mundo. Mas é possível sim, aproveitar a estadia em Lisboa e desfrutar de belas praias. E o melhor de tudo, a maioria delas está no caminho da linha de trem que liga a metrópole a Cascais. O passeio começa na estação Cais do Sodré, que interliga o metrô aos trens que fazem o trajeto de Lisboa a Cascais e de Lisboa a Sintra.

Praia de Caxias
Na sexta estação da linha Lisboa-Cascais fica a Praia de Caxias. Se você já visitou Belém de trem, é só descer na terceira estação após o bairro com os pontos turísticos mais emblemáticos da cidade. Caxias fica na foz do Rio Tejo e bem próxima a outra atração turística, o Forte de São Bruno. Assim é possível aproveitar o dia na areia e ainda conhecer outro interessante ponto. Caxias é para quem gosta de um ambiente mais tranquilo, uma vez que não conta com grande estrutura para o visitante. Mas a falta de bares e restaurantes não tira em nada a beleza do lugar.

Praia de Paço de Arcos
A próxima estação é a Paço de Arcos, onde fica a praia que leva o mesmo nome. O lugar também é conhecido pelo nome de Praia Nova. Além de se espichar na areia ou curtir as águas do Tejo, a Praia de Paço de Arcos está no fim do Passeio Marítimo, que convida a uma caminhada a beira-mar. O lugar tem uma boa oferta de restaurantes e bares para comer ou bebericar.

Praia de Santo Amaro de Oeiras
De volta ao trem, a próxima parada é na Praia de Santo Amaro de Oeiras. Ela é uma das mais frequentadas, por sua localização estratégica, bem próxima do Parque Municipal. O passeio é completo: praia, parque e de quebra o Teatro Independente de Oeiras.

Praia da Parede
Praia da Parede

Praia de Carcavelos
Passando a estação Oeiras chega-se a Carcavelos. A praia que leva o mesmo nome é de longe a maior da região metropolitana, com uma extensa faixa de areia. Carcavelos é a primeira praia de mar da grande Lisboa, aqui estamos no Atlântico e não mais no Tejo. Por isso, tem condições adequadas para a prática de esportes como o bodyboard e o surf. E é comum Carcavelos sediar competições durante o Verão. Aproveite para visitar o Forte de São Julião da Barra, que fica junto à praia.

Praia da Parede
Mais uma estação e chega-se a Parede. Antes desta praia fica Avencas, a 15 minutinhos de caminhadas desde o trem. É uma das praias mais conhecidas pelo público jovem, que frequenta o Bar das Avencas, o queridinho da “galera” lisboeta. A praia é minúscula, com apenas 160 metros de extensão e por isso, fica lotada e não exatamente para aproveitar a areia, uma vez está em uma região rochosa. O local é ideal mesmo para conhecer gente e azarar. A Praia da Parede também fica em uma área rochosa, o que, na prática, não estimula em nada o banho de sol a beira-mar. Porém, a visita vale pela curiosidade: a praia ficou conhecida no passado por ter águas que ajudam no tratamento dos ossos.

Praia de São Pedro
Seguindo a linha de Lisboa a Cascais, a próxima parada do trem após a Parede, é a estação São Pedro. A praia fica a uma curta caminhada de 15 minutos. Por também ser rochosa, seu maior atrativo é o calçadão, onde ficam bares e restaurantes. São Pedro é outro point da juventude. No Verão é preciso ter um pouco de paciência para conseguir uma mesa. Os bares estão sempre lotados e de gente bonita.

Praia do Tamariz
Já em Estoril, onde fica um dos mais belos cassinos do mundo, o Casino de Estoril, fica a Praia do Tamariz. A faixa de areia é minúscula, com apenas 190 metros de extensão. Mas nem por isso deixa de ser um dos locais mais procurados por locais e turistas. Se tem um dia já agitado a beira-mar, Tamariz também é uma velha conhecida de quem gosta de sair à noite. No local há muitos bares para uma pré-balada e para quem quiser esticar a noite, há também casas noturnas.

Praia do Tamariz
Praia do Tamariz

Praia das Moitas
Na estação Monte Estoril, a última antes do fim da linha em Cascais, fica a pequena Praia das Moitas. Apesar de ter 170 metros de extensão, apenas 20 metros são de areia, sendo o restante cravejado de rochas. Por ser tão pequena, Moitas se converteu em uma praia quase exclusiva, frequentada, principalmente pela elite de Lisboa e Cascais. Estoril é a última estação antes de Cascais. A cidade vizinha a Lisboa tem lindas praias que, assim como Sintra, do outro lado da margem do Tejo e por isso merecem posts só para elas.

Garimpando bugigangas

O que seria de um turista que viaja o mundo e não traz nada de volta na bagagem? Para quem é mais “asséptico”, Lisboa tem vários shoppings como o Colombo ou o Vasco da Gama. Porém, para mergulhar de cabeça em lugares que os alfacinhas compram, é preciso conhecer lugares como a Feira da Ladra. É uma versão, digamos, do mercado das pulgas de Paris. A Feira da Ladra vende de tudo, dos decorados (e maravilhosos) azulejos portugueses a antiguidades e muitas, muitas bugigangas. Desde 1882 funcionando no Campo de Santa Clara, a feira, surgiu no século 13 por vários pontos da cidade. A feira acontece sempre às terças-feiras e aos sábados, desde às 6h ou 7h e dependo da época do ano ou do clima, é encerrada às 14h (em dias chuvosos) e no mais tardar as 17h. Por isso, se quiser garimpar, o ideal é ir bem cedo.

Feira da Ladra
Feira da Ladra

Mas nem só quem pensa em comprar algo inusitado deve ir à Feira da Ladra. No Campo de Santa Clara e perto dele ficam diversos pontos turísticos para se visitar, entre eles a Igreja de São Vicente de Fora, o Panteão Nacional (que mencionei acima, onde está sepultada Amália Rodrigues e outros portugueses ilustres), o Jardim Botto Machado e o próprio Mercado de Santa Clara. Ali perto fica também o bairro da Graça, um dos mais antigos de Lisboa e que preserva bem sua história. Vale muito a pena visitar.

Como chegar
De metrô, descer na estação Santa Apolónia, da linha azul. De elétrico, pegar o 28 e descer na Voz do Operário. Do Centro, caminhada de 30 minutos desde a Baixa.

Voando direto a Lisboa
Se você está na região de Campinas, a Azul inaugura no próximo dia 22 de junho seu primeiro voo para um destino europeu e, justamente Lisboa. A principio serão três voos semanais partindo do Aeroporto Internacional de Viracopos. Porém, a Azul anunciou que aumentará para cinco sua frequencia em 7 de julho. Os voos serão operados com o Airbus A330, o maior da frota da companhia aérea.


Preços:
– Campinas-Lisboa-Campinas em classe econômica na baixa temporada: A partir de US$ 479 ou 60 mil pontos Tudo Azul
– Campinas-Lisboa-Campinas em classe econômica na alta temporada: A partir de US$ 699 e US$ 1999 em classe executiva e de 80 mil a 220 mil pontos Tudo Azul
Horários:
– Viracopos: 17h com chegada às 7h
– Lisboa: 11h com chegada às 17h35

São Paulo
A TAP mantém um voo diário entre o Aeroporto de Guarulhos e Lisboa. As tarifas para o trecho SãoPaulo-Lisboa-São Paulo estão a partir de US$ 571 mais taxas.
Horários:
– Guarulhos: 15h45 com chegada às 5h35
– Lisboa: 22h15 com chegada às 5h15

Outros Posts

Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

Leia Também