Na estrada entre o País Basco e a França

O ponto de partida dessa viagem entre Espanha e França é Pamplona. Cheguei à cidade após uma semana em Madri. Foram 3 horas de trem, parte do trajeto em alta velocidade. A cidade taurina, orgulhosa de ter como alicerce o antigo reino de Navarra, além de honrar os ideais separatistas do País Basco, é uma das mais belas no Norte da Espanha. Antes de pegar o carro e rodar 320 quilômetros até Bordeaux, aproveitei para apreciar essa cidade medial, dona de lugares inusitados como a Ciudadela e modernos, como a Universidade de Navarra.

O que ver
Entre os monumentos mais representativos de Pamplona encontram-se o Ayuntamiento (prefeitura), erguido em 1423. O prédio atual conserva a fachada do antigo, construído em 1755, que por sua vez substituiu o edifício original do século XV. A Catedral de Santa Maria La Real, de estilo gótico, substituiu a antiga catedral destruída em 1276. Dentro ficam as sepulturas dos reis de Navarra e um gigante acervo de peças de arte sacra. A Ciudadela é uma fortaleza em forma pentagonal e uma mais bem conservadas da Espanha. Foi construída entre os séculos XVI e XVIII e, em 1964, foi transformada em um parque público. O Fortín de San Bartolomé foi a última edificação construída no conjunto defensivo de Pamplona no século XVIII e, dos três fortins originais do complexo, é o único que ainda existe. Nele fica o Centro de Interpretação das Fortificações de Pamplona, que se dedica ao constante estudo da história das defesas de Pamplona. No local existe também um museu onde é possível conhecer um pouco da história do município. À parte de seus monumentos e edificações históricas, Pamplona é uma cidade universitária, e por isso, muito vibrante. As ruelas do Centro, onde se concentram bares, ficam lotadas, principalmente nos finais de semana. A cidade é conhecida mundialmente pelo Festival de San Fermín, quando Pamplona para durante a festa que envolve corrida de touros, anualmente entre 6 e 14 de julho.

Pé na tábua
Em Pamplona aluguei um carro, que na Europa é um serviço simples e bem mais barato que no Brasil. Por 3 dias e 640 quilômetros rodados foram 100 euros.
Deixei Pamplona para trás pela Ruta A-15 rumo a Donostia-San Sebastián, a 84 quilômetros. A pista é muito bem cuidada e com ótima estrutura de socorro, postos de combustíveis e restaurantes. Tal qual nas estradas paulistas, prepare o bolso. Perdi a conta das praças de pedágio e de quantos euros gastei no trajeto. Apesar do valor do aluguel do carro, mais a gasolina e os pedágios, o passeio vale cada centavo investido. San Sebastián, como é chamada em espanhol, ou Donostia, na língua basca, é uma das cidades praianas mais belas da Espanha. Rodeada pela Baía da Concha, junto ao mar de Biscaia, a cidade é uma parada obrigatória nesse trajeto.

Praia La Concha, em San Sebastián

Onde ir
Se a visita for no Verão, coloque um traje de banho na mala. A Praia da Concha, bem no Centro, é a mais conhecida, e por isso, sempre lotada. Ainda na Baía da Concha fica Ondarreta, mais tranquila e preferida das famílias. Também na Praia da Concha fica La Perla, antiga residência real de Verão, que converteu-se em um belo e aconchegante balneário que pode ser desfrutado pelo turista. E se o visitante for jovem, descolado e curtir surfe, deve ir a Zurriola. Mas a vida em San Sebastián não gira apenas ao redor de suas praias. A visita não pode deixar de fora prédios históricos como o centenário Teatro Victoria Eugenia, cuja arquitetura se baseia no período do renascimento espanhol. O Hotel María Cristina é outra obra de arte, local preferido da aristocracia espanhola durante a Belle Epoque. A edificação sedia atualmente o Festival Internacional de Cine de San Sebastián, um dos mais importante do país.

No meio do Caminho, Saint Jean de Luz é para relaxar ao sol
Seguindo 32km (pouco mais de 20 minutos) pela rodovia AP1, cheguei a Saint Jean de Luz, uma simpática vila pesqueira francesa no Atlântico junto aos Pirineus. No século XVII, Saint Jean de Luz foi o reduto dos corsários bascos. Hoje, a cidade praiana se converteu em um balneário onde o tempo passa lento e ao sabor do sol. Apesar de muitos turistas, a cidade tem um clima tranquilo e sua arquitetura ainda guarda muito da época em que foi um dos mais importantes portos pesqueiros da França.

 

Onde relaxar
Como destino litorâneo, o melhor lugar para se esticar na areia é a Grande Plage, a principal praia da cidade. Com águas bem tranquilas, o local é o favorito para famílias com crianças. Ao longo da praia há diversas atividades, desde esportivas a entretenimento. Saint Jean de Luz ainda abriga outras quatro lindas praias: Erromardi, Mayarco, Lafiténia e Cénitz, todas próximas a áreas de hotéis e de camping, e muito populares entre surfistas. Depois de uma prainha, uma boa ideia é caminhar pelo calçadão da Rue Gambetta. O lugar reúne o comércio com lojas de todos os ramos. Experimente o chocolate, um dos mais saborosos do mundo. Na Rue Gambetta também fica a igreja Saint-Jean-Baptiste. Construída no século XV, é considerada um dos templos mais representativos do País Basco. Seu exterior esconde uma imensa nave, além de um monumental altar barroco. Um lugar pitoresco para visitar é o mercado Les Halles. Aberto 365 dias por ano, o mercado popular vende de tudo, de vegetais a carnes exóticas como a de cavalo. O mercado também é um ótimo lugar para provar (e comprar) vinhos e queijos franceses, entre eles o Ardi Gasna, queijo de cabra produzido sob pressão, sem cozimento, e maturado por seis meses. O Les Halles funciona todos os dias de 6h às 13h.

Grande Plage, em Saint Jean de Luz

Reta final
Difícil pensar que, depois de apreciar tamanha beleza, seja possível se deparar com um lugar ainda mais deslumbrante. Assim é, resumidamente, Bordeaux, a pouco mais de 200 quilômetros desde Saint Jean de Luz pela rodovia A63. Há tanto o que ver e fazer em Bordeaux, que a cidade merece um caderno inteiro. Impossível aqui neste espaço e por isso, elenco alguns dos lugares que não podem ficar de fora de uma rápida visita.

Deslumbre-se
A Meca dos Vinhos deve ser primeiramente “degustada” pelo Centro. Comecei pela Place des Quinconces e seus belos monumentos. Com uma estação de tram bem ao lado, é fácil chegar e se localizar. Aproveite para sentar nos bancos e respirar o ar puro produzido por suas inúmeras e frondosas árvores. Dali segui para a Place de la Comédie, no coração da cidade antiga. De um lado, fica o Grand Théâtre e do outro o The Regent Grand Hotel, dois marcos da cidade e que revelam o imponente estilo arquitetônico de Bordeaux. No Verão, o local fica apinhado de gente que passeia pelos calçadões do entorno, principalmente nas tardes de sábado.

La Bourse, em Bordeaux

Outro marco da cidade é a Cathédrale de Saint André. A igreja em estilo gótico, na Place Pey-Berland, pode ser vista de todos os cantos. É comparável em tamanho, com a Notre-Dame de Paris. O ponto alto da visita é a Place de la Bourse, também conhecida como Place Royale. Ali fica o palácio La Bourse, um exemplo da perfeição arquitetônica da cidade erguida no século 18. Outro lugar que não deve ficar fora da visita é a Pont du Pierre, a primeira ponte construída sobre o rio Garonne a mando de Napoleão Bonaparte. Seus 17 arcos são uma referência ao nome do imperador. Bem próxima a ela, ao longo de uma das margens, fica um convívio, onde é possível apreciar a vista e relaxar. Terminei minha viagem em Bordeaux, mas quem está com tempo pode seguir viagem para outros destinos deslumbrantes como Toulouse, ou quem sabe, pegar o trem-bala, o TGV, e em duas horas desembarcar na cidade mais linda do mundo, Paris.

Outros Posts

Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

Leia Também