Mauá e Penedo têm charme europeu

Qual o diferencial que se busca quando o assunto é escolher um destino para uma viagem? Se for aventura, com muitas trilhas, cachoeiras e paisagens deslumbrantes, a resposta certa é a região de Visconde de Mauá, que abrange parte dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, nos municípios de Itatiaia, Resende e Bocaina de Minas. Também nessa região estão as três vilas que fazem a fama do lugar: Vila de Mauá, porta de entrada para os turistas; Maringá (com a pitoresca ponte sobre o Rio Preto que divide os dois estados cortando a vila ao meio) e é a principal vila, concentrando um número grande de pousadas, lojas e restaurantes, que vão desde os tradicionais com cardápio que privilegia o caseiro, até os bistrôs franceses, restaurantes japoneses e vegetarianos; e a Vila de Maromba, que também conta com um pequeno comércio, pousadas, e onde estão muitas das atrações naturais da região.

Ainda entre Mauá e Maringá, há os vales das Cruzes, do Pavão e do Alcantilado. Cada um reserva surpresas agradáveis aos amantes da natureza. A região das três vilas também conserva seu quinhão de Mata Atlântica e cenários encantadores, que seduzem os visitantes por causa de outra característica: o clima frio na maior parte do ano. A temperatura média anual é de 18 graus Celsius. São justamente esses cenários que formam um verdadeiro santuário ecológico e de paisagens inesquecíveis. O local também faz limite com o Parque Nacional de Itatiaia, o mais antigo do Brasil, criado em 1937 e onde se encontra o Pico das Agulhas Negras, com 2.787 metros de altitude. Com tantos pontos a favor para uma visita, é preciso reservar alguns dias para conhecer as belezas do lugar.

A Natureza
A descoberta de tanta beleza atraiu os investidores do turismo. E, a partir dos anos 1950 surgiram pousadas, restaurantes e pequenos negócios em que o visitante encontra uma mistura de natureza bruta com conforto. Entrecortada por montanhas e vales, Visconde de Mauá tem 139 cachoeiras catalogadas, sendo que 90% delas é acessível para um mergulho. Além disso, há poços, piscinas naturais, picos e trilhas que podem ser percorridos a pé, a cavalo, de bicicleta, de moto ou de carro. As distâncias entre uma atração e outra não são grandes, mas o terreno acidentado requer preparo físico.

Há ainda o serviço de transporte com guia, uma boa opção para se chegar a todos os lugares e de uma maneira mais rápida e cômoda. As cachoeiras são as principais atrações das vilas. Além das mais tradicionais, como o Cachoeira Véu da Noiva — que tem uma queda de 15 metros que forma uma piscina natural —, o Poção da Maromba — que conta com uma pedra que forma uma plataforma de sete metros de altura, de onde os aventureiros despencam em um poço com mais cinco metros de profundidade no Reio Preto —, a Cachoeira do Escorrega — que forma um tobogã natural de 30 metros formado por uma pedra lisinha em que as pessoas deslizam e mergulham no poço — e a Cachoeira de Santa Clara — que conta com 50 metros de queda de águas cristalinas e é um dos locais mais visitados — há um roteiro de cachoeiras gigantes, com até 200 metros de queda d’água. Para esse roteiro é preciso reservar um dia inteiro E, nesse caso, é necessário um veículo especial para acessá-las. E de preferência com guia.

O Sítio Cachoeiras do Alcantilado

O Sítio Cachoeiras do Alcantilado é uma propriedade particular com uma sequência de nove cachoeiras, que termina com uma de 50 metros, e é um dos destaques de Mauá. O projeto do sítio é inovador e o local foi adaptado à visitação, com passeios ecológicos, lazer e entretenimento, desde março de 1992. Dentro do sítio, o visitante precisa fazer uma trilha de 1,5 quilômetro. Porém, o caminho é suave e muito bem cuidado. A caminhada é feita margeando o Córrego do Alcantilado e com uma exuberante floresta, com pássaros, borboletas e outras várias atrações junto com as cachoeiras e poços para banho. O sítio ainda tem serviço de bar, lanchonete todos os dias e uma pastelaria nos finais de semana, feriados e férias. Quem preferir ficar somente no sítio, há uma casa para aluguel dentro da propriedade, com cinco quartos.

Gastronomia
Se a vida diurna de Visconde de Mauá leva a diversas aventuras ecológicas, a noite convida à boa mesa, à música e ao aconchego da lareira. O clima de serra com a baixa temperatura noturna combina com uma degustação de vinhos e bons pratos nos restaurantes e bares. A truta e o pinhão são destaques da gastronomia e bases de várias receitas locais. A truta, peixe tradicional de terras frias, foi introduzida nos vilarejos por meio da criação controlada nos trutários.

O pinhão, semente do pinheiro Araucária, está presente em toda a região, já que é plantada por pássaros em locais úmidos. Por ser abundante em Visconde de Mauá, ganhou até uma homenagem com a Festa do Pinhão, que tradicionalmente é realizada no mês de maio, época em que os restaurantes das três vilas também participam do Concurso Gastronômico e oferecem pratos que ganham notas dos próprios clientes. No mês de outubro a homenagem é para o peixe tradicional da região na temporada da truta. E há restaurantes, bares, pousadas e hotéis para todos os bolsos. Há também campings, que são uma alternativa para os mais aventureiros. Outro atrativo, típico do Interior, os cafés-da-manhã costumam ser caprichados, com pães, bolos, doces, geleias e queijos.

Truta rosa, um dos pratos da gastronomia de Mauá
Truta rosa, um dos pratos da gastronomia de Mauá

Viagem deve incluir Penedo, distrito que guarda herança escandinava
O distrito de Penedo fica no caminho para a região de Visconde de Mauá, e que fica no Parque Municipal Ecológico de Itatiaia, no Rio de Janeiro. É um local que recebeu importante influência dos imigrantes finlandeses, os quais colonizaram a região no início do século. Atualmente, o charmoso vilarejo tem como principal movimentação econômica a atividade turística. No cenário da pequena vila estão a Casa do Papai Noel, fábricas de chocolate, construções no estilo arquitetônico enxaimel — característico das montanhas de países como Finlândia, Alemanha e Suécia —, além das Araucárias em todos os cantos da vila, que fica aos pés da Serra da Mantiqueira. A região ainda mantém os costumes e a cultura de seus fundadores com gastronomia típica, jardins floridos e construções em madeira.

A pequena vila tem uma avenida principal na qual se encontram atrações comerciais. O Shopping Pequena Finlândia reproduz uma vila finlandesa com o estilo de casas coloridas e charmosas. O local que abriga ainda a casa de Verão do Papai Noel e também conta com muitas lojas de artesanato, roupas e a loja de chocolates Tontulakki.
Penedo também é recheada de trilhas em meio a pinheiros e araucárias e que podem ser exploradas a partir de cavalgadas e caminhadas que levam a diversas cachoeiras, como a Cachoeira de Deus e a Três Quedas, além do Parque Nacional de Itatiaia.

História
Percorrer a região de Visconde de Mauá é também viajar pela história do Brasil e visitar um dos mais centrais polos de ecoturismo do País. Originalmente, foi habitada pelos índios Puris, que deram nome à Mantiqueira: lugar onde nascem as águas. No século 19 iniciou-se a atividade mineradora de ouro, envolvendo os rios Preto e Aiuruoca e outros próximos. Vieram então os portugueses e seus escravos. Há documentos que indicam que as primeiras famílias chegaram ao local em 1889, especialmente italianos e austríacos. Depois chegaram os alemães e suíços, para construir a colônia agrícola.

Dança típica finlandesa, em Penedo
Dança típica finlandesa, em Penedo

Os imigrantes que permaneceram na região deram início à atividade turística. O local ainda é complementado por pessoas acolhedoras, muitos que chegaram nas décadas de 1960 e 1970, outros nativos que misturam o provincianismo do Interior brasileiro com um certo ar cosmopolita dos que já visitaram o mundo e decidiram se instalar nas montanhas escondidas de Mauá.

Distância
A viagem da região de Campinas para Visconde de Mauá é feita pela Rodovia Presidente Dutra. Depois de entrar no Estado do Rio de Janeiro e passar ao lado de Penedo, com seus encantos que lembram a paisagem europeia. São mais 29 quilômetros pela Estrada Parque do Rio de Janeiro. Boa parte com asfalto e uma altitude que, em alguns pontos, chega a 1,3 mil metros.

Leia o post competo de Vilma Gasques no Correio.com

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional e consultor de viagens. Eduardo Gregori is a professional journalist and travel consultant.

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