Cuba se abre para o mundo e ao turismo

“Vá para Cuba!”, me disseram. Eu fui com a mente aberta para conhecer um lugar tão ímpar com seu sistema político, sua cultura e seu modo de vida. Vi um país para turistas e outro para os cubanos. Fui em um momento de expectativa de um povo com os novos ventos que sopram rumo à ilha. Cuba passa por uma fase de transição e, penso eu, está aí um bom motivo de incluir esse passeio nas suas férias para registrar o antes, o hoje e o que está por vir. Desembarquei na semana em que estrelas de Hollywood estavam por lá e Gisele Büdchen também. Não se falava em outra coisa a não ser o primeiro navio cruzeiro da Chanel saído dos Estados Unidos a aportar em Havana e sobre a equipe de Velozes e Furiosos, cujo sétimo filme estava sendo rodado na mesma cidade. Tempos modernos em Cuba, que já havia recebido a visita de Barack Obama e dos Rolling Stones.

Eu bem que procurei o protagonista da saga, o ator Vin Diesel, pelas ruas de Havana, mas não tive sorte. A Habana Vieja, ou Havana Velha é a porta de entrada de visita, e fascina quem gosta de arquitetura e cultura. É um museu a céu aberto com carros dos anos 1950 circulando por toda a cidade e seu patrimônio histórico de palacetes e monumentos. Alguns prédios mais antigos precisam de manutenção e há outros já sendo reconstruídos para abrigar mais hotéis. Pode-se ver grandes guindastes levantando novos prédios no centro colonial, acelerando a transformação arquitetônica da capital.

Percorri a pé a Plaza de la Catedral, passei em frente à Catedral de San Cristóbal (que estava fechada porque estava em reformas), fui a Plaza de la Revolución, vi o Paseo del Prado e pisei no chão de taco de madeira, na Plaza de las Armas. São todos pontos turísticos a se visitar em Cuba. A Plaza de las Armas foi a primeira praça da cidade, construída logo após sua fundação. Nela há vendedores de antiguidades, entre eles, moedas, discos (LPs), fotos e muitos livros sobre Che Guevara, Fidel Castro e outros títulos que remetem à La Revolución cubana.

Plaza de la Catedral de San Cristóbal
Plaza de la Catedral de San Cristóbal

A Plaza de la Revolución é o local onde realizam-se os principais atos políticos e culturais do país e era onde Fidel costumava falar ao povo. O lugar é gigantesco e ao redor dela, se vê o Memorial José Martí, dedicado ao político, filósofo, jornalista e poeta cubano, além do Teatro Nacional e o Ministério del Interior, com uma enorme escultura do rosto do Che Guevara.
Ainda em Havana, fui ao famoso La Bodeguita Del Médio, bar frequentado pelo escritor americano Ernest Hemingway e que fica a meia quadra da Catedral. Eu, que não sou famosa como a Gisele, deixei a minha marca na parede da fama. Sim, você leu certo: o turista pode deixar seu nome gravado com caneta nas paredes do lado de fora. Ele vai se perder com o tempo e com tanta gente escrevendo por cima, mas valeu a intenção.

Pelas ruas próximas ao bar você encontra gravuras belíssimas de todas as cores e tamanhos, penduradas em varais. É uma lembrança especial para quem quer presentear. Quem gosta de suvenir o melhor lugar é o Centro Cultura San José, uma espécie de mercadão onde se encontra de tudo um pouco: de artigos de lembrança até rum, charuto, roupas, artesanato em geral. Os preços são mais em conta e têm mais variedades quando comparado às lojas espalhadas por Havana Velha.

Havana é limpa. Por onde andei não vi uma folha ou papel no chão. Pelas esquinas há música ao vivo. Aliás, a música está na alma do cubano. Nas ruas, nos bares, restaurantes, dentro dos hotéis e nos resorts, em todo canto da cidade e até nas praias, é comum ver mulheres e homens tocando algum instrumento, cantando ou dançando ao ritmo ardente da ilha caribenha. Fui a Cuba para participar da Feira Internacional de Turismo (FITCuba), realizada no Complexo Morro-Cabañas, que fica a Leste da baía de Havana. É um forte militar e outro ponto turístico. A baía ou a orla marítima é cercada pelo Malecón. A avenida beira-mar é um cartão-postal de Havana.

Plaza de la Revolución

Quem não gosta de caminhar, pode pegar o ônibus turístico — o Habana Bus Tour — que circula pela cidade. Funciona no sistema em que o turista pode descer e subir quantas vezes quiser no mesmo dia. O ônibus é panorâmico (aberto na parte de cima) e por isso, cuidado com galhos das árvores ou fiação elétrica não atingir o seu rosto em alguns pontos do passeio. Outra opção de transporte é o cocotáxis, um triciclo com carcaça em formato de coco que transporta turistas pelas ruas da capital. O povo cubano é hospitaleiro. Eles são simpáticos, alegres, receptivos, comunicativos e amam o Brasil. Converse com eles e verá como se esforçam em entender o português e em dizer os dois lugares que sonham, um dia, em poder visitar: o Rio (de Janeiro) e Bahia, famosos por lá por conta do Carnaval e Axé Music. Outra curiosidade: os cubanos amam as nossas novelas. Na ocasião da viagem eles falavam de Avenida Brasil e Amor à Vida (Globo), esta última ficou famosa pelo personagem Félix.

Os paraísos de Varadero e dos cayos
O que me encantou em Cuba? Nadar com golfinhos. Sim, além de charutos e rum, lá tem essas criaturinhas lindas e também belas praias com areias brancas e finas e cheias de corais e conchas. O mar é calmo e de um azul-turquesa e verde-esmeralda. A ilha tem destinos de praias paradisíacas e passeios na natureza com trilhas em montanhas e cachoeiras. Fui a Varadero e Cayo Blanco. Varadero fica ao lado de Havana, há uns 150 quilômetros de distância. É um balneário tipicamente turístico. Lá conheci duas brasileiras que moram em Miami, mas vão para Varadero relaxar nas águas cristalinas. Os cayos são paraísos e alguns imaculados.

Cuba tem mais de quatro mil cayos (pequenas ilhas, geralmente não habitadas por causa do tamanho reduzido e pela falta de água potável). Os hotéis, resorts all inclusive, spas, são mais de dez estrelas; internacionais e com infraestrutura de dar inveja aos brasileiros. O almoço no Iberostar Varadero não podia ser melhor: também a gerente é brasileira. E o Meliá Marina Varadero tem uma marinha enorme: Gaviota — com mais de 1,2 mil atraque — e doca, que pode ser vista de qualquer sacada ou ponto que estiver. Comi muita carne de porco, frango, peixe, camarão e frutos do mar. A gastronomia de Cuba mistura influências de outras culturas, com toque de temperos espanhóis e a excentricidade africana. O feijão é preto e o arroz geralmente misturado com temperos do tipo orégano, coentro, tomates etc.

Varadero
Varadero

No café da manhã, frutas como banana, abacaxi e manga são comuns. Experimentei o mamey, fruta originária do México e América Central, sendo comum em Cuba, Norte da América do Sul e nas Índias Ocidentais. Como o nome sugere parece um mamão, tem sabor adocicado e é alaranjado por dentro, mas o sabor é diferente e lembra o abacate.
Para beber, muito Mojito, bebida típica feita com rum e hortelã. Dizem os cubanos que é para refrescar. Em Cuba faz calor. As temperaturas médias são 25 graus centígrados no Verão e 22 graus no Inverno. São duas estações bem definidas: a seca, que ocorre no Inverno (novembro a abril) e a de chuvas no Verão (maio a outubro). Viajei com a empresa aérea Avianca. São dez horas de voo — cinco de São Paulo a Lima, mais cinco até Havana. O fuso em Cuba é uma hora a menos em relação ao horário de Brasília. Cuba exige que seja feito seguro de viagem com cobertura de despesas médicas, que pode ser adquirido em agências de turismo. É preciso visto chamado de tarjeta turistica e pode ser obtido no Consulado de Cuba em São Paulo www.cubadiplomatica.cu/brasil/ES/ServiciosConsulares.aspx#Tarjeta_de_turista

Internet e moedas
O acesso à internet é restrita aos funcionários do governo e pessoas que podem pagar caro. Como disse uma jornalista cubana: “o pânico só será as primeiras 24 horas, logo, logo você compreende que não tem jeito e é melhor desfrutar da beleza natural e turística do país”. No quesito dinheiro, a melhor opção é viajar com euros, pois o dólar sofre uma defasagem na troca. A ilha tem duas moedas, uma para os cubanos, o peso cubano (CUP), e outra para os turistas, o peso conversível, o CUC. Na teoria, o CUC vale US$ 1 (segundo a cotação oficial do Banco Central de Cuba). Na prática, a moeda norte-americana é desvalorizada em aproximadamente 15%. O cubano fala espanhol, mas fiz amizade com uma senhora de Beagá, que deu para si mesma de presente de aniversário uma viagem a Havana e dali para Holguín e outros cayos. Entre os roteiros mais conhecidos estão o Cayo Largo, Trinidad e Santiago de Cuba.

A escolha é sua! Boa viagem!

Texto de Maria Finetto, que visitou Cuba a convite do Escritório Regional de Turismo de Cuba para Sulamérica via Consulado de Cuba em São Paulo

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional e consultor de viagens. Eduardo Gregori is a professional journalist and travel consultant.

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