Cobrança de bagagens pode incentivar viagens de ônibus

A nova regra da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que permite a cobrança pelo despacho de bagagem pelas companhias aéreas brasileiras, está em vigor desde o dia 29 de abril. Cada empresa terá a sua própria tarifa adicional, que varia de R$ 30 a R$ 260, e procedimento de cobrança, que fará com que o passageiro informe à companhia aérea antecipadamente sobre sua escolha para evitar custos adicionais.

Apesar da medida ter sido aprovada para a oferta de passagens aéreas mais baratas, as empresas possuem políticas distintas quanto a nova medida e não garantem o barateamento das passagens, não deixando claro qual será o real benefício da mudança ao consumidor. Enquanto isso, o transporte rodoviário mantém o preço total inalterado e continua com a gratuidade do despacho de duas bagagens de até 30Kg cada uma. Dessa forma, o mercado rodoviário torna-se ainda mais competitivo e reforça seu valor para o turismo brasileiro.

Devido às novas regras cada companhia poderá fazer as cobranças da forma que desejar. Com isso, algumas cias aéreas já definiram regras e cobrarão por bagagem de mão, incluindo no valor da passagem o despacho de malas até 23kg, outras terão opções de passagens com direito a apenas a bolsas e mochila. Desta forma, uma viagem de avião de São Paulo para o Rio de Janeiro pode custar cerca de R$ 600 (somente ida), um valor 550% mais alto do que uma passagem rodoviária, que custa em torno de R$ 90 (o trecho) com todas as taxas incluídas.

“Acreditamos que a mudança no aéreo poderá levar mais pessoas a considerarem o rodoviário como a melhor opção de transporte. Haverá um período de adaptação tanto das empresas aéreas quanto do consumidor, que terá que planejar com mais antecedência se irá despachar uma mala, além de maior burocracia no check-in. Por outro lado, o transporte rodoviário continua se modernizando, oferecendo mais conforto nos ônibus, além de ter o preço mais acessível sem cobranças adicionais. Com essa decisão do setor aéreo, o rodoviário pode ser uma opção ainda mais interessante para o consumidor que não estiver disposto a gastar mais tempo e dinheiro para despachar uma mala”, afirma Cesário Martins, CO-CEO e fundador da ClickBus.

A crise econômica refletiu em uma migração maior para o rodoviário já que, com o orçamento reduzido, brasileiros tiveram que enxugar gastos e buscar alternativas econômicas em todas as frentes, especialmente no modal da viagem. Essa mudança pode acelerar a migração de passageiros do setor aéreo para o rodoviário. A duração da viagem de avião é menor, mas há muitos benefícios de viajar de ônibus que superam essa questão para muitos passageiros, como o custo, a localização das rodoviárias comparada à dos aeroportos e a facilidade da compra online antecipada, que pode ser parcelada em até 12x.

 

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional e consultor de viagens. Eduardo Gregori is a professional journalist and travel consultant.

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