Brisbane, agradável surpresa australiana

Quando recebi o convite para visitar a Austrália não pensei duas vezes em aceitar. Apesar de ter visitado “lá embaixo” (como diz a banda australiana Men At Work na quase folclórica e hit dos anos 1980, Down Under) – nas minhas férias de 2012, da distância e de horas a fio dentro de dois aviões, ao chegar ao maior país da Oceania o turista entenderá porque o destino é um dos preferidos dos intercambistas brasileiros e que vem despontando mundialmente como um lugar obrigatório para todo viajante que se preze. Belezas naturais de tirar o fôlego, entre praias paradisíacas e o árido e rústico outback; o exotismo de animais únicos como coalas e cangurus; clima agradável com quatro estações bem marcadas; segurança e dólar bem abaixo do norte-americano são alguns dos muitos pontos positivos que esta nação do outro lado do mundo tem a oferecer.

Aeroporto de Santiago, no Chile. Caminho para a Austrália pelo Oceano Pacífico

Apesar de todos os prós, é preciso se preparar para a longa viagem. Existem duas rotas que ligam a América do Sul à Oceania. Enquanto uma parte pelo Atlântico, com escala em Dubai, a outra vai pelo Pacífico, com parada em Santiago. A quem prefira a primeira, conhecida por ter passagens mais baratas. Porém, a viagem pode demorar mais de 30 horas, além do tempo de conexão nos Emirados Árabes. A rota pelo Pacífico é mais rápida, porém não menos cansativa: são quatro horas e meia até Santiago, mais três de conexão no aeroporto da capital chilena (embarcando no primeiro voo) e mais 16 até Sydney. Se a duração da viagem parece perturbadora, principalmente para quem não está acostumando a distâncias extremas, imagine o fuso horário. Normalmente, Sydney tem uma diferença de 14 horas a mais em relação à Brasília, mas dependendo da região pode variar para menos. Imagine sair de São Paulo no primeiro voo para o Chile, pouco depois das 7 horas da manhã e chegar a Sydney quase 24 horas depois no final da tarde? A sensação é quase de dois dias viajando.

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A Opera House, de Sydney

 

Uma dica para enfrentar o jet lag é chegar, deixar as malas no hotel e sair pela cidade. Pois bem, cheguei, mas não fiquei logo em Sydney. A minha viagem começou na verdade em Brisbane, a quase mil quilômetros dali. Me livrei um pouco do jet lag dando uma longa caminhada em Sydney, onde passei a noite, e como acordei muito cedo, repeti a dose indo do hotel ao lado do aeroporto até a Opera House, percorrendo uma distância de 12 quilômetros na ida e mais 12 na volta. Me fez bem ao compensar as longas horas sem circulação adequada nas pernas e me cansou o suficiente para entrar no horário local.

Letreiro de Brisbane em South Bank

Uma hora e meia de voo e mais um atraso de uma hora no relógio, desembarquei em Brisbane, capital do estado de Queensland e terceira maior cidade australiana. Não sabia muito o que esperar daquele lugar, mas qual não foi a minha surpresa em descobrir uma terra com uma fervilhante vida cultural e lugares muito interessantes para se conhecer. Só não ache estranho, como eu, acostumado com a vida notívaga latina, ao se deparar com uma cidade adormecida pouco depois das 10 horas da noite. Estranho é, mas é assim que vivem os habitantes de Brisbane. Enquanto de dia o calçadão da região central fica lotado, às 5h da tarde, quando as lojas baixam suas portas (inclusive as dos shoppings) a cidade vai se apagando, não antes, porém, de oferecer um cardápio bem servido de bares e restaurantes, que se esparramam pelo calçadão mais famoso da Austrália, o Queen Street Mall.Curtir a noite de Brisbane é ter que procurar alguma festa, que começa, acreditem, por volta das 20h e se estende até as 3h ou 4h da matina. Mas drinques e outras bebidas com álcool são servidos até às 2h ou 3h, no máximo.

 

Queen Street Mall

O passeio por Brisbane deve começar exatamente pelo Queen Street Mall, que é nada menos que o coração da cidade. Quem gosta de compras vai encontrar de tudo, das requintadas lojas de grifes internacionais, passando pela popular H&M até lojinhas com quinquilharias chinesas. Pelo caminho bares, restaurantes, hamburguerias e um mar de gente. O calçadão é um ótimo lugar para ver de perto a pluralidade do povo e da cultura australianas. No fim da tarde, pare para ver um show. Sempre há apresentações, sejam de músicos independentes, a performances oficiais do município. Nos finais de semana o calçadão ainda é palco de eventos culturais, com feirinhas artesanais e históricas.

Dicas importantes para quem visita Brisbane

– Após as 22 horas é proibido por lei portar bebidas alcoólicas em vias públicas. Então, ao sair para beber não se leva bebida para fora do bar após este horário. A Austrália tem também leis bem restritivas em relação ao fumo. Em lugares como o Queen Street Mall, que é uma via pública, não é permitido fumar. Há locais, inclusive, onde o fumo é vetado mesmo na rua. Sendo assim, é preciso ficar atento. Porém, as áreas para fumantes são sempre bem sinalizadas.

– Preste muita atenção ao atravessar ruas. A Austrália segue o padrão britânico de tráfego ou seja, o trânsito flui exatamente do lado contrário ao que estamos acostumados.

Caminhando pelo Rio
Para conhecer Brisbane do ponto de vista de seus moradores é preciso fazer como Proud Mary, a emblemática canção do Creedence, cujo refrão diz: “rolando, rolando pelo rio”. Ok, não saia rolando pelas margens do Rio Brisbane, mas como dizem os jovens atualmente, é preciso “dar um rolê”. O maior rio do sudeste do estado de Queensland faz um percurso de 344 quilômetros, mas é no pequeno trecho na região central de Brisbane que ele desempenha sua função de apresentar a cidade a quem chega e a orgulhar a quem vive ali. O mais gostoso de tudo é que o acesso é fácil, e um dos lugares mais interessantes para se chegar lá é, exatamente seguindo por Queen Street Mall. Antes de cruzar a margem, é possível parar sobre a Victoria Bridge e fazer fotos, de onde se vê uma gigantesca roda-gigante, a The Wheel Of Brisbane, além do edifício do Centro Cultural de Queensland. Do outro lado da ponte fica South Bank, uma verdadeiro oásis entre um mar de arranha-céus. Antes de percorrer o lugar, uma parada providencial para uma selfie no letreiro que forma o nome da cidade. À noite ele fica ainda mais bonito com iluminação colorida, que contrasta com os grafites que ornamentam cada letra.

Centro Cultural de Queensland
Wheel Of Brisbane

Quem gosta de arte deve começar a descobrir South Bank pelo centro cultural. O edifício é um dos principais espaços de artes de toda a Austrália e abriga um museu, biblioteca e galerias. No Centro fica ainda o Queensland Performing Arts Complex, espaço onde acontecem espetáculos. Além de concertos de sinfônicas e óperas, o complexo tem uma agenda anual de musicais. Este ano foi palco de Cats, um dos mais conhecidos da Broadway novaiorquina e do West End londrino.

A um passo do centro está a Wheel Of Brisbane. Não é uma London Eye, mas tem o seu charme. O preço na bilheteria é de 19 dólares australianos, aproximadamente 57 reais. A compra pelo site thewheelofbrisbane.com.au oferece desconto. O passeio dura 25 minutos em uma gôndola com ar-condicionado. A Wheel Of Brisbane oferece também visitas Vip ao preço de até 170 dólares australianos para quatro pessoas. O passeio inclui acesso exclusivo e um menu degustação assinado por um chef. Há outras opções de passeio vip para duas pessoas. Para outras informações, basta acessar o site da atração.

Mais adiante fica uma área verde incrível, onde é possível se esconder do sol e calor intenso que se abate sobre a cidade durante o Verão. Escondido em meio a muito verde fica o Nepal Peace Pagoda, uma espécie de palácio construído pelo arquiteto alemão Jochen Reier a pedido do governo nepalês. A torre foi erguida como um pavilhão para a World Expo, feira realizada em Brisbane em 1988. A construção típica do Nepal, é um dos três pagodas do mundo erguidos fora do território nepalês. Após muitas fotos neste belo lugar, aprecie o rio e a movimentação do parque, intensa durante todo o dia. Há mesas com estrutura para piqueniques e para quem prefere aquele tipo tradicional, com uma toalha xadrez no chão, é só se esticar na grama e se deleitar com a vista. O lugar convida a ler um livro, andar de bicicleta ou patins e relaxar. Muito na moda atualmente, o turista pode alugar por algumas horas um segway, aquele veículo comum aos seguranças de shoppings muito grandes. Em South Park Parklands é possível até mesmo, quem sabe, conhecer alguém interessante. E o que não falta na Austrália é gente bonita e bem-educada.

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Nepal Peace Pagoda

Mas a maior supresa de Brisbane ainda está por vir. A cidade, que não fica na beira do mar, tem sua própria praia artificial. Streets Beach é única. Tamanha beleza e segurança atraem turistas e moradores até de noitinha. De um lado, uma piscina com água cristalina e do outro, um lago com areia e palmeiras completam o cenário tropical. Pensa que acabou? Ali fica também o South Bank Grand Arbour, uma pérgula de um quilômetro de comprimento ornamentada buganvílias que formam um lindo caminho. Mais adiante fica o Courier Mail Piazza, um anfiteatro com apresentações culturais e esportivas. Embrenhando-se pelo lugar, me deparo com uma espécie de vila, onde ficam diversos restaurantes e cafés supercharmosos, ideais para almoçar, fazer um lanche rápido ou um happy hour.

Streets Beach

Chocólatras como eu não podem deixar de fora uma passadinha no Max Brenner Chocolate Bar e provar das delícias achocolatadas, como o indescritível e irresistível petit gateau. Um pecado contra a balança que todo turista precisa cometer. Durante o dia, bem em frente aos bares e restaurantes fica uma feira de artesanato, quinquilharias e roupas. Boa oportunidade de levar um presente ou uma lembrancinha para casa.

Eduardo Gregori segura coala no Lone Pine Koala Sanctuary

Ir a Austrália e não ver um coala é como ir a Roma e não ver o papa. Na primeira vez que estive por lá, só consegui observa-los dormindo agarrados nas árvores. Como são herbívoros, precisam comer muitas folhas de eucalipto, mas extraem pouca energia delas, restando a estes seres tão meigos, a preguiçosa tarefa de dormir aproximadamente 20 horas por dia. Em Brisbane o turista consegue um contato mais próximo do marsupial no Lone Pine Koala Sanctuary. Fundado em 1927, é o maior e mais antigo santuário deste animal no mundo, com uma população estimada em 130 coalas. Além de observa-los em árvores, o visitante pode comprar um tíquete extra para tirar uma foto com um coala no colo.

O santuário também abriga cangurus, demônios da Tasmânia e vombates, outro marsupial típico da Austrália. A entrada custa 36 dólares australianos para um adulto e o santuário funciona todos os dias das 9h às 17h. Outras informações estão no site www.koala.net, que dispõe de páginas em português do Brasil.

Se der tempo
Assista a um jogo da Australian Football League, a liga de futebol australiano. Apesar de ter o mesmo nome que o nosso, o jogo nada tem a ver com o jogado por aqui. Tipicamente australiano, o futebol é parecido com o rugby, mas com suas próprias regras. Difícil é entender, mas vale pela empolgação da torcida. Informações no site afl.com.au

Jogo da AFL

Arte acessível
Outro lugar que não pode passar batido, especialmente por quem aprecia arte, é a Queensland Gallery of Modern Art (qagoma.qld.gov.au). A galeria é dona de um acervo com mais de 16 mil obras de arte históricas e contemporâneas. Instalações e mostras cinematográficas fazem parte do roteiro pelo local. A galeria funciona todos os dias das 10h às 17h e a entrada é gratuita.

Não deixe de ir
Se você gosta de praia, dê uma esticada até Gold Coast, a 94 quilômetros de Brisbane. O paraíso dos surfistas, é dono de praias paradisíacas, além de dias ensolarados e quentes, muito propícios para passar o dia nas areias escaldantes. A cidade com seus arranha-céus modernos lembra muito Miami. Mais
informação em www.australia.com

Gold Coast

Saiba mais
– A Austrália exige visto dos brasileiros. Porém, o processo é todo eletrônico e não é necessário ir até a um posto consular. Para se candidatar ao visto acesse o site da embaixada australiana no Brasil: http://brazil.embassy.gov.au/brasportuguese/visas_and_migration.html.

– O valor do visto por pessoa é de 135 dólares australianos, aproximadamente 405 reais. O país também exige do visitante a vacina contra febre amarela. O turista precisa levar o cartão de saúde que comprova a vacinação.

Eduardo Gregori viajou a convite do Ministério das Relações Exteriores da Austrália

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Eduardo Gregori

Eduardo Gregori é jornalista profissional especializado em turismo. Eduardo Gregori is a professional tourism journalist

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