Costa Basca: de Pamplona a Biarritz

A Estafeta, em Pamplona: bares e baladinhas

O hemisfério Norte começa a vivenciar o clima frio, anúncio do Inverno que chega. Ótima oportunidade para quem vive do lado de baixo do Equador para conhecer ou rever a neve e passar muito frio. Mas se você está planejando uma viagem em meados de 2017 e gosta de praia, uma dica é conhecer algumas cidades da Costa Basca, litoral que se estende pelo Norte da Espanha e adentra o Sudoeste da França. Montei minha base em Pamplona, cidade conhecida mundialmente pelas festividades de São Firmino e suas corridas de touros que fascinaram o escritor americano Ernest Hemingway.

Apesar de não ser uma cidade barata, Pamplona dispõe de toda estrutura para o turista preparar uma agradável viagem pela costa. Isso sem mencionar que o próprio destino é interessantíssimo, principalmente para quem curte um agito. Por ter uma das mais conceituadas universidades (Navarra) da Espanha, a cidade está sempre apinhada de jovens que lotam os bares — e, principalmente em dias quentes e durante o Verão — em busca de um bom papo, drinques e petiscos. E não posso deixar de mencionar que, após passar horas em um cativante ócio na mesa de um bar, a melhor maneira de encerrar a noite é ir bailar ritmos latinos, como fazem os locais. Confesso, simplesmente divertidíssimo!

Show de rock ao ar livre em Pamplona

Estar no Norte da Espanha em agosto, após a loucura da festa de São Firmino, é como estar em qualquer cidade de clima tropical. O calor e o sol são intensos e o clima convida para aproveitar o mar. Esqueça aviões e horas de trem, porque é tudo perto. O turista pode escolher ir de ônibus, de trem (em alguns casos com baldeações) ou de carro. Escolhi a última opção, principalmente pela facilidade de não estar preso a horários e pela mobilidade que o automóvel proporciona. Não gostou de um lugar?, é só escolher outro e seguir. O preço também incentiva. Por cerca de 100 euros é possível alugar um carro mais comum — mas com itens de série como ar-condicionado, direção hidráulica e air bags — por 3 dias. Uma pechincha para quem está sozinho e, muito mais para quem viaja com a família ou amigos.

Povo basco
Apesar de estar no Norte da Espanha e Sudoeste da França e as línguas oficiais destes países serem o espanhol e o francês, o povo basco tem seus próprios costumes e língua, a euskara. Para um turista não chega a ser um problema, pois as indicações em placas e até em menus são apresentadas sempre em dois idiomas.

Trajes bascos tradicionais

Mas é bom saber que, nesta parte da Espanha, em nada vamos identificar os costumes ditados por Madri, e na França, nada do que se prega em Paris. Para um forasteiro, entender de fato o que é o País Basco, é um tanto complicado, uma vez que existem diversas hipóteses sobre seu estabelecimento enquanto nação. Há correntes que afirmam que os bascos são nativos do extinto reino de Navarra — atualmente uma comunidade autônoma —, mas que se fixaram em quatro províncias na Espanha e três na França, localizadas em volta da borda ocidental da Cordilheira dos Pirineus, cujos montes formam a fronteira natural entre os dois países.

Pouco mais de 100 quilômetros separam a cidade dos touros de belíssimas praias
A primeira parada é San Sebastián, chamada de Donostia no idioma basco. Pela Ruta A-15 são 84 quilômetros desde Pamplona. É bom lembrar que existem pedágios, muitos deles aceitam pagamento em cartão de débito/crédito, mas, para não correr riscos, o melhor é levar dinheiro. A pista é ótima com muitas paragens para comer e abastecer. Banhada pelo mar de Biscaia, San Sebastián é um paraíso para quem gosta de praia. E não é preciso ficar procurando esta ou aquela praia incrível, pois todas são. A mais fácil de se encontrar é a da Concha, no Centro da cidade, e por isso, sempre cheia. A água é meio fria, mesmo no Verão, mas a paisagem da baía é linda, então se o visitante não quer passar o dia dentro d’água não há problema.

San Sebastián, também chamada de Donostia

Arme uma cadeira e um guarda-sol e desfrute da paisagem. E se não quiser ficar parado no mesmo lugar, dê uma caminhada revigorante pela orla, que revela outras muitas belezas da cidade. O único senão da praia, quando se está de carro, é encontrar um lugar para estacionar. Por isso, é bom chegar cedo. A dica é procurar um estacionamento ou buscar uma vaga em uma rua mais afastada. Cansou ou não gostou da Concha? Donostia ainda tem a tranquila Ondarreta e a de águas agitadas, Zurriola, ideal para a prática de surfe. Lugar bonito para se ver é o que não vai faltar nessa viagem.

Vive la France!
Saindo de San Sebastián pela Rodovia AP1, rapidamente (32km) chegamos em Saint Jean de Luz, já na França. Vale lembrar que, em tempos de terrorismo, o policiamento na fronteira entre França e Espanha foi reforçado. Por isso, às vezes — somando o grande fluxo de carros que rumam para o litoral no Verão — o pedágio na fronteira na parte da manhã (e à tardinha) fica lotado. É bom ter paciência, abrir as janelas para que os policiais possam visualizar melhor quem vai dentro do carro e não reclamar se for escolhido para uma revista. E, sob nenhuma hipótese, esqueça o passaporte. Você pode (e deve) até deixar uma cópia no hotel, mas cruzar a fronteira em um momento tenso, como vive atualmente a França, pode acabar com a viagem e causar uma série de problemas e, até mesmo, deportação. Ou seja, a questão é séria, melhor não arriscar.

A tranquila San Jean de Luz, na França

Passada a fronteira, Saint Jean de Luz esparrama suas belezas aos pés dos Pirineus. A cidade é um balneário muito procurado, tanto pelas belas praias, quanto por clima agradável no Verão. A maior delas fica no Centro, a Grande Plage. Águas calminhas convidam a relaxar. Aproveite para tomar uma sorvete no calçadão, uma delícia. O calçadão, aliás, é outro lugar para ver gente bonita e colocar a saúde em dia. Mas não esqueça o protetor solar, porque o sol castiga, mesmo quando venta muito. Saint Jean de Luz tem ainda outras praias belíssimas como Erromardi, Mayarco, Lafiténia e Cénitz, bem servidas de infraestrutura hoteleira para quem pretende ficar um dia ou mais. E se você quiser levar lembrancinhas pra casa, dê um pulo na Rue Gambetta, repleta de lojas.

Copacabana francesa
Saindo de Saint Jean de Luz, a Via A63 nos leva, em apenas 18km, a Biarritz. A primeira visão do mar, a Grande Plage, é deslumbrante. Não é à toa que a cidade viva ainda de sua aura de um passado ligado à nobreza. Em 1854, a imperatriz Eugénie de Montijo, mulher de Napoleão III, ergueu seu palácio de Verão de frente para o mar. O clima é tão agradável que até mesmo famosos e nobres, como a rainha Victoria da Inglaterra, costumavam visitar com frequência o balneário.

A belíssima Biarritz

O Cassino, construído em 1901, deu mais destaque à cidade, além do Hotel du Palais, na outra ponta da praia. Difícil mesmo é conseguir um lugar na areia. Um pouco estranho para o turista brasileiro é que a areia é composta de pedrinhas. Então, a melhor maneira de curtir é sentado em uma confortável cadeira. Ao longe é possível ver um verdadeiro mar de gente disputando um lugarzinho na areia escaldante. Para quem não quer perder horas para conseguir um lugar neste pequeno paraíso, a dica é caminhar e se embasbacar com sucessivas belezas. Caminhando pela Grande Plage é fácil visitar lugares turísticos, como o Rocher de la Vierge (Rochedo da Virgem). Pelo caminho, comidinhas rápidas, restaurantes, cafés, sorveterias e igrejas belíssimas. Mas o mais impressionante são as formações rochosas que avançam para o mar. Não deixe de visitar!

Hendaye
No caminho de volta para a Espanha, pela mesma Via A63, a 32km de Biarritz fica a bela Hendaye, exatamente na divisa entre os dois países, mas ainda do lado francês. Apesar de pequena e tranquila, a cidade é marcada por fatos históricos importantes, como o encontro, em 1659, entre os reis da França e da Espanha, que assinaram o Tratado dos Pirineus. Em 1940, a estação da cidade recebeu Adolf Hitler, que pressionou Francisco Franco para entrar na Segunda Guerra Mundial.

Hendaye, na fronteira entre França e Espanha

Mas o melhor de Hendaye mesmo é o mar, com nada menos que 3km de areia fina. Em uma dia quente é possível aproveitar a água, não tão quente quanto no Brasil, mas mesmo assim, agradável. Estacionar perto da praia é difícil, principalmente no Verão, mas há diversos estacionamentos no entorno. Hendaye é uma verdadeira joia, tanto que recebe milhares de turistas. E o mais importante, segura. Mesmo com a praia lotada é possível deixar os pertences na areia e mergulhar sem ter nenhum tipo de preocupação. E não estranhe ao se deparar com mulheres de todas as idades fazendo topless e nem mesmo com quem troque de roupa em plena areia, com o sol a pino. Lá, é bem normal. Hendaye é para passar o dia sobe o sol curtindo o delicioso Verão europeu. Se bater a fome, a cidade é bem servida de restaurantes, bares e cafés. Estamos na França, certo? Comida boa é o que não vai faltar.

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Eduardo Gregori

Sou jornalista, viajo profissionalmente e por prazer. Também sou cantor e DJ. I am a journalist and a profesional and leisure traveller. I also sing in weddings and DJ

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