Pamplona celebra San Fermín

Começou hoje (06/07) as festas de San Fermín, celebração que pinça a pequena cidade de Pamplona – no Norte da Espanha – de sua tranquilidade e a coloca no epicentro de uma espécie de romaria histórica, na qual homem e touro bailam uma dança épica. Desde o século 12, no sexto dia de julho ao meio-dia, o prefeito do município vai até a varanda do paço para anunciar a uma multidão vestida de vermelho e branco que as festividades estão oficialmente abertas. Esqueça a Espanha tradicional das castanholas e de suas bailaoras de flamenco muito bem vestidas com saias longas ornadas em muita renda, cabelos presos em coques vertiginosos e enigmáticos leques. Estamos no meio do País Basco, lugar que um dia foi Reino de Navarra, mas que não resistiu ao domínio do que hoje é a Espanha.

Navarra tem muito pouco do espanholismo tradicional, tanto que sua língua é o basco, ou euskara. Mas o que ficou, além do idioma castelhano foi justamente a tradição taurina. San Fermín pode parecer, a princípio, uma festa macabra e desumana, ao promover uma disputa, muitas vezes sangrenta entre homem e animal. Porém, como dizem os pamplonenses, trata-se de uma exaltação ao touro na qual o objetivo é correr com ele (e não dele) pelas ruas da cidade. Tente dizer isso a um jovem turista estrangeiro com adrenalina e álcool explodindo na corrente sanguínea: o resultado, muitas vezes são incidentes em que sempre quem leva a pior é o ser humano. Apesar de a festa ser mal interpretada por quem não conhece sua tradição, os pamplonenses reverenciam sua cultura e seguem ano a ano com a festividade.

Corrida com touros no Centro de Pamplona
Corrida com touros no Centro de Pamplona

San Fermín é uma das celebrações mais conhecidas da Europa e período em que turistas desembarcam em Pamplona vindos dos quatro cantos do planeta. Mas a festa abençoada pelo santo tem muito mais que corridas e touradas. De 6 a 14 de julho Pamplona festeja seu padroeiro com missas, apresentações folclóricas, shows e muita agitação nos bares e praças do Centro. Se você é do tipo de turista que não gosta de aglomeração, escolha outra época para visitar a cidade, mas se não se importa em estar quase como no centro do universo, esteja em Pamplona no San Fermín. As ruas transbordam gente por todos os lados e a festa parece não ter hora para acabar. A cidade não desaponta o turista com atrações que vão de igrejas a museus e construções históricas. Isso sem contar os bares que servem, além de uma boa bebida, saborosíssimos pintxos, pequenas porções de pratos típicos.

A pé
Pamplona não é uma metrópole, então é fácil percorrê-la a pé. Aliás, esta é a melhor maneira de conhecer os detalhes da cidade. Os lugares que o visitante irá precisar de um ônibus ou táxi, são os centros comerciais, que ficam mais no entorno da cidade. E por falar em compra, algo que nós brasileiros gostamos muito de fazer no Exterior, uma dica é o mall La Morea http://lamorea.com, um centro de compras com lojas bem interessantes, com destaque para o outlet de El Corte Inglés, com preços muito atrativos de peças de grife e também de menos conhecidas. Outra loja para quem pretende levar para casa algum eletrônico é a Media Market. Fique de olho nas promoções que a loja sempre faz. Recomendo ir de ônibus que é barato e muito tranquilo.

Plaza del castillo, no Centro da cidade
Plaza del Castillo, no Centro da cidade

Antes de desbravar as ruas de Pamplona, vale lembrar que, se a visita for durante San Fermín, é alto Verão e em Pamplona a temperatura pode chegar aos 40 graus, então, não esqueça de levar consigo uma garrafa d’água e muita disposição para caminhar. Se for no Inverno, saia bem agasalhado porque venta muito e também faz frio. Não é muito comum, mas este ano nevou. Então, imagine o quão baixa a temperatura pode chegar. A caminhada pode começar pelo Ayuntamiento, que é a prefeitura. O belíssimo edifício foi erguido na junção dos três burgos que deram origem à cidade, em 1423. O prédio atual, construído há pouco mais de sessenta anos, conserva a fachada do antigo, construído em 1755, que por sua vez substituiu o edifício original do século XV. É neste local que acontecem grane parte cerimônias oficiais, incluindo o chupinazo, que dá início às festas de San Fermín. Caminhando pelo Centro, chegamos a Igreja dedicada a San Saturnino. Erguida no século XII, é uma igreja-fortaleza que mistura formas góticas e uma grande capela dedicada à Virgem do Caminho. Sua torre iluminada é um dos cartões postais de Pamplona.

Calle Estafeta, a mais agitada no Centro
Calle Estafeta, a mais agitada no Centro

Ainda no centro fica a Câmara de Comptos, o único edifício civil em estilo gótico que sobreviveu ao longo dos séculos. Foi um palácio antes de ser transformado no Tribunal de Contas de Navarra. O prédio também serviu como a primeira sede da Universidade de Navarra. Outra belíssima igreja para visitar é a Catedral de Santa Maria La Real, construída em estilo gótico e que substituiu a antiga catedral destruída em 1276. O templo abriga as sepulturas dos reis de Navarra e um grande acervo de peças de arte sacra. E se ainda tiver interesse em conhecer mais um templo católico, o turista encontra a Igreja de São Nicolás, uma igreja-fortaleza que integrava o complexo de muralhas da cidade. Foi construída no século XII e nela está o órgão barroco mais importante da cidade.

 

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Bares
Outro símbolo de Pamplona, principalmente entre os mais jovens, são os bares no centro de Pamplona. tanto que reúne milhares desde o início da noite e, nos finais de semana, até a alta madrugada. Os bares e restaurantes da cidade ficam abertos toda a semana para almoço e jantar. Mas é a partir de quinta-feira que ganham ainda mais vida. Preto da Plaza Del Castillo, a principal de Pamplona, ficam os tradicionais Txoko, Café Iruña e Okapi. Já na Calle Estafeta estão o Gaucho, Bodegón Sarria (condecorado pelo Guia Michelin) e o Chez Bellagua.

Bares de Pamplona
Bares de Pamplona

Toda cidade tem a sua principal marca, uma construção ou elemento natural que imediatamente a identifica em qualquer lugar do mundo. Além das festividades de San Fermín, Pamplona tem na Ciudadela uma destas marcas. Trata-se de uma fortaleza em forma pentagonal e uma das mais bem-conservadas. Foi construída entre os séculos XVI e XVIII e, em 1964 foi cedida pelo exército ao município, transformando-se em um parque público. O lugar compensa o cinza das muralhas e do calçamento com espaços verdes. Ótimo para conhecer a história da cidade mas também para contemplar a beleza de plantas que ali crescem. De quebra, é possível participar de alguma atividade cultural, que esporadicamente acontece ali. Tive a oportunidade de assistir a um filme ao ar livre, tendo apenas o céu estrelado e a tela para apreciar.

Outra fortificação para se visitar é o Fortín de San Bartolomé, última erguida como parte do conjunto defensivo de Pamplona durante o século XVIII. Dos três fortins originais do complexo, é o único que ainda existe. Atualmente abriga o Centro de Interpretação das Fortificações de Pamplona, que se dedica ao estudo da história das defesas da cidade.

Parte de uma das fortificações de Pamplona
Parte de uma das fortificações de Pamplona

Pertinho de Pamplona, ainda há muito o que ver. Entre tantas joias que a região abriga, destaco o Palácio Real de Olite, edificação do século XIII que era a corte dos reis de Navarra. e foi considerado o mais belo castelo de sua época. Destruído após a invasão do reino, foi restaurado apenas no século XX. Ainda é possível ver parte de sua estrutura original. Além de seus belos cômodos, anexa ao castelo fica a igreja de Santa Maria. Este passeio dura, no mínimo de três a quatro horas, tamanho a edificação. Após a visita, aproveite para se embrenhar pelas ruas estreias de Olite, que ainda guarda um ar medieval, e apreciar o casario centenário. Escondida entre oliveiras, uma joia, a igreja de São Pedro, não deixe de entrar e ver de perto as obras sacras que compõem o altar e ornam as paredes. Chegar a Olite a partir de Pamplona é fácil, é só pegar o ônibus no terminal rodoviário e pedir ao motorista para descer na cidade. Atenção, pois não há rodoviária na cidade e Olite fica no meio do trajeto. Então, se perder o ponto, provavelmente irá parar em outro lugar e perder o passeio.

Palácio de Olite, perto de Pamplona
Palácio de Olite, perto de Pamplona

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Visitante célebre
Apropagação de Pamplona para o mundo se deve muito Ernest Hemingway. O escritor norte-americano desembarcou na cidade em 6 de julho de 1923, na abertura de San Fermín. Hemingway se apaixonou pela cidade e lhe dedicou O Sol Também Se Levanta (The Sun Also Rises), cujo romance tem a festividade como pano de fundo. Hemingway voltou a Pamplona outras oito vezes, sendo a última em 1959, dois anos antes de sua morte. O escritor é reverenciado com um busto em frente à arena de touros e no Hotel Perla, onde seu quarto está como ele o deixou em sua última visita. O Café Iruña também fica uma estátua em tamanho natural de Hemingway.

Porque ir?


Pamplona pode (e deve) ser incluída em uma visita que contemple pelo menos duas semanas na Espanha. Se o turista planejou visitar Madri e tem dias a mais, chegar a Pamplona é fácil. Em Barajas, a Iberia opera diariamente para o destino. O voo dura pouco mais de uma hora. De trem, o percurso da Renfe é de três horas em vagões modernos e confortáveis. O trem parte da estação de Atocha, a principal de Madri, até Pamplona. Outra opção é ir de ônibus. A Alsa https://www.alsa.es/en tem vários horários diários e o percurso dura aproximadamente cinco horas. De outras cidades também é possível chegar a Pamplona: de Barcelona há voos diários e também trem. Desde a França, de Bordeaux, ou de Andorra também há ônibus.

Eduardo Gregori

Sou jornalista, viajo profissionalmente e por prazer. Também sou cantor e DJ. I am a journalist and a profesional and leisure traveller. I also sing in weddings and DJ

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