Ottawa: charme francês, requinte britânico e tradição indígena

Quem visita a fronteira do Brasil sabe o quão interessante é cruzar uma rua e se deparar com mundos totalmente diferentes: de um lado idioma português e do outro espanhol. Mais interessante ainda é quando cenários tão distintos convivem dentro de um mesmo país, como acontece em Ottawa, ponto final do Especial Canadá, que passou por Vancouver e Toronto. Caminhar pela capital canadense é encontrar logo aí, nas margens do rio que leva o nome da cidade, uma parte do país que preferiu seguir o idioma e os costumes de seus conquistadores irlandeses, enquanto a outra agradece com merci bocu, herdado daqueles que deixaram a França para desbravar um admirável mundo novo, terra dos índios algonquinos e iroqueses que mais tarde seria chamada de Canadá.

A proximidade de cenários tão distintos e ao mesmo tempo tão únicos (e unidos) só acontece na Capital por conta do rio que divide as províncias de Ontário — e suas mais importantes cidades, como Toronto — e Quebec, onde fica, entre outras, a belíssima Montreal. Então, para o turista que desembarca em Ottawa é uma oportunidade de conhecer distintas culturas em um mesmo destino. E quase tudo pode ser feito a pé pelas charmosas ruas da cidade. Apesar de o Canadá ser conhecido como um país frio, no Verão em Ottawa não é preciso mais do que calçados confortáveis e roupas leves para caminhar ao ar livre. O Inverno é bem rigoroso e mesmo com o Canal Rideau congelado e aberto à patinação no gelo, basta colocar um bom agasalho e aproveitar tudo o que a cidade tem de bom.

Desembarcando na Capital
Ottawa fica a pouco mais de 350 quilômetros de Toronto, principal porta de entrada do Canadá. Quem parte do Brasil tem quatro opções para chegar à cidade: avião, trem, ônibus ou carro. O trecho de avião, mais rápido, é realizado em menos de uma hora. A ligação é feita pelos aeroportos Lester B. Pearson (internacional) e Billy Bishop Toronto (regional), em Toronto, e o Macdonald Cartier, em Ottawa. Apenas três companhias operam o trecho: Air Canada, Westjet e Porter. Um dos percursos mais charmosos é por trem, realizado pela Via Rail. E quem desembarca em Toronto pode escolher ir direto a Ottawa por uma linha expressa que liga o aeroporto Lester B. Pearson à Union Station, de onde partem os trens. (Informação em www.torontoairportexpress.com).

A viagem dura aproximadamente quatro horas entre belas paisagens naturais. Mesmo na econômica, os trens são confortáveis, com wi-fi gratuito e refeições que não ficam devendo em nada à classe executiva de um voo internacional. Os assentos também são muito confortáveis. o que contrbui para uma viagem tranquila. Um detalhe importante para quem viaja de trem, principalmente o brasileiro que adora fazer compras no Exterior, é o limite de peso da bagagem. Enquanto nas companhias aéreas o limite a partir e para o Brasil é de duas peças de 32 quilos cada, no trem o peso máximo, sem o pagamento de extra, é de 18 quilos na classe econômica. (Informação em: www.viarail.ca). Aqueles que não têm tanta pressa e estão com o orçamento apertado podem optar pelo ônibus. A viagem leva, em média, cinco horas. Os ônibus partem do Toronto Coach Terminal, na Bay Street 610, no Centro. Apesar de mais lento, o trajeto também oferece as paisagens da Trans Canada Highway, rodovia que atravessa o Canadá, ligando Toronto a Vancouver, no outro lado do país. (Informações nos sites das companhias Greyhound Canada www.greyhound.ca, e Brewster www.brewster.ca).

Outra possibilidade para conhecer o Canadá é por carro. O aluguel de veículos é bem mais barato que no Brasil e bastam apenas passaporte e cartão de crédito internacional para sair dirigindo. Quem parte de carro de Toronto em direção a Ottawa vai passar pelo Lago Ontário, um dos mais belos cenários do país. Mais além ficam pequenas e charmosas cidades, ideais para uma descansada, almoço ou lanchinho. O trecho da Rideau Heritage Route, margeado pelo rio de mesmo nome, é muito peculiar, com vilarejos e paisagens que mais parecem pinturas.

América europeia

A primeira impressão de quem chega a Ottawa é de estar em um país europeu. O Canal Rideau, que corta boa parte da cidade, tem um certo charme do francês Sena, enquanto o prédio do Parlamento tem a mesma imponência dos monumentos britânicos. Caminhar pela Capital é perceber muitas referências europeias. Mas a cidade soube respeitar seus primeiros moradores, os índios americanos algonquinos e iroqueses, cuja herança se faz presente por todos os lugares. O próprio nome do município é uma derivação da palavra algonquina adawe, que significa negociar, em referência à principal atividade desenvolvida às margens do Rio Ottawa, antes que irlandeses e franceses se estabelecessem ali.

A quarta maior cidade do Canadá foi fundada como Bytown em 1826 e só recebeu seu nome atual em 1855. Com tanta história, não é à toa que tenha o título de Capital dos Museus. O mais famoso e visitado em todo o Canadá é o Canadian Museum of History (www.historymuseum.ca), conhecido também como Canadian Museum of Civilization. Se não levarmos em conta seu rico acervo, a visita não seria menos interessante, uma vez que o museu está em um privilegiado local, às margens do Rio Ottawa, com uma belíssima vista da colina do Parlamento, cenário imortalizado como imagem internacional de Ottawa. Porém, o museu é conhecido, justamente, por sua coleção, que enfatiza os costumes da civilização. Ele percorre em mais de mil anos a história do país, do seu passado indígena até a modernidade. Um dos destaques é a projeção de filmes em Imax.

Um espaço de arte que não pode ficar fora do roteiro é a National Gallery of Canada (www.gallery.ca). De cara, o visitante é recebido por Maman, impressionante obra de Louise Bourgeois que reproduz uma aranha de quase dez metros de altura com 26 ovos de mármore sob seu ventre. A galeria abriga mais de 40 mil trabalhos, a maioria de artistas canadenses, além de um acervo asiático e obras de estrangeiros entre pinturas, esculturas e artes decorativas que percorrem desde o século XIV até o XX.

Outro museu que não deve faltar na lista de visitação em Ottawa é o War Museum (www.warmuseum.ca). O espaço conta um pouco da história canadense sob o viés de conflitos armados. Artefatos, veículos militares (até imensos tanques e jatos) e armas compõem a coleção de mais de 300 itens. Apesar de exibir objetos bélicos, o museu também trata de paz. Na Sala da Regeneração, uma pequena janela aponta para a Torre da Paz, na colina onde está o Parlamento. Quem visita Ottawa em novembro deve ir ao museu às 11 horas do dia 11. Nesta data, o sol brilha na direção do Memorial Hall, iluminando a lápide do soldado desconhecido.

A imagem de Ottawa para o mundo é, sem dúvida, a do complexo de edificações que compõem o Parlamento, chamado de Parliament Hill. Assentadas em uma colina, as construções em estilo gótico ficam à beira do Rio Ottawa e podem ser observadas de vários pontos da cidade, a melhor vista é da principal ponte que liga a cidade de Quebec a Ottawa. O centro político do Canadá se converteu também em local de peregrinação turística por sua beleza e por ser a sede de eventos culturais e patrióticos, onde o povo se reúne aos milhares. O Parlamento está aberto à visitação pública e gratuita. Quem desembarca na cidade durante os meses de Verão não pode perder a cerimônia de troca da guarda, uma rotina que se repete desde 1959. O evento, que acontece pontualmente às 10 horas, tem pompa e circunstância. O ideal é chegar 15 minutos antes para garantir um bom lugar.

Outra paisagem que traduz o espírito de Ottawa é o Rideau Canal. Construído no século XIX, tempo em que o Canadá temia um ataque do vizinho Estados Unidos, o canal se tornou lugar de convívio para a população e visitantes, graças às trilhas e calçadões às suas margens. São 202 quilômetros de um caminho que vai em direção Sul ao Lago Ontário. Além de sua beleza, o Rideau é uma engenhoca com 47 portas que interconectam lagos e rios. Durante o Verão, nos meses de maio a outubro, o canal se transforma em um local perfeito para prática de canoagem, além de passeios de caiaque e barcos. Os parques no entorno do canal recebem visitantes em busca de sol, calor, atividades esportivas ou, simplesmente, para momentos de relaxamento. Famílias aproveitam o sol e o verde abundante para fazer piqueniques ao ar livre. No Inverno, com águas congeladas, o canal se converte na maior pista de patinação no gelo a céu aberto do mundo. É só levar os patins e deslizar ao sabor do vento.

Se no vaivém entre uma visita e outra bater uma fome, o lugar mais tradicional em Ottawa é o ByWard Market. Bem no Centro, ao lado de Parliament Hill, o mercado centenário reúne os melhores pubs, cafés e restaurantes. O mercado em si é um lugar especial para visitar e ver de perto o que os moradores consomem no dia a dia. No seu entorno há uma série de lojinhas onde é possível encontrar de tudo: bugigangas para levar de lembrança, xarope de maple, o saboroso Beaver Tail (espécie de pastel doce em formato de rabo de castor), roupas e acessórios, cafés, restaurantes, cervejarias e bares, muitos bares. À noite o movimento é ainda maior.

Hotel de luxo é uma das marcas de Ottawa
O ttawa também é conhecida por uma construção que se adequa perfeitamente ao cenário francês-britânico em estilos gótico e vitoriano. Às margens do Canal Rideau e de Parliament Hill, o Fairmont Château Laurier (www.fairmont.com/laurier-ottawa) foi erguido com torres e alvenaria remanescentes de um palácio francês. O hotel dispõe de 429 suítes, incluindo 33 de luxo, uma delas, a Fairmont Gold, fica em um andar privativo e é descrita como “um hotel dentro de um hotel.” Hóspedes com mobilidade reduzida contam com oito suítes. A cozinha do Fairmont Château Laurier tem a assinatura de uma equipe de chefs executivos que preparam as refeições servidas no Wilfrid’s, um dos mais charmosos restaurantes da cidade. Com amplas janelas, o café da manhã, almoço ou jantar são acompanhados da belíssima paisagem do Canal Rideau.

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Além do Wilfrid’s, o hotel abriga ainda o Zoé’s Lounge, cujas especialidades são os coquetéis e um menu pensado para a noite. À tarde, o local se transforma em uma tradicional casa de chás, com bolinhos feitos na hora e geleia de morango caseira, além de outras guloseimas de tradição britânica. Amenidades como sabonetes, xampus e até água mineral de grife fazem do Fairmont Château Laurier um lugar especial. Mesmo para quem não se hospeda, o hotel pode ser apreciado. O Fairmont disponibiliza Ipads para visitas autoguiadas. Há também a possibilidade de baixar o aplicativo no próprio smartphone ou tablet, para os sistemas IOS e Android.

Outra opção não menos charmosa, mas focada no luxo e com estilo moderno, é o West In Ottawa (www.thewestinottawa.com). O hotel é especialmente interessante para o turista de negócios por estar bem ao lado do centro de convenções da cidade, um dos mais modernos do mundo. Mas o turista de lazer também pode tirar proveito da localização, bem ao lado e com comunicação com o Rideau Centre, principal centro de compras da região central. Todos as suítes do Westin Ottawa contam com TV de tela plana, jornal diário e máquina de café de cortesia. O hotel dispõe também de piscina coberta com água salgada e serviço de quarto 24h. Entre as amenidades, hidromassagem, academia, quadra de squash, serviços florais e business center. O café da manhã, fartamente servido no restaurante Daly’s, é um dos melhores da cidade. Outro restaurante do hotel é o Landmarks Lounge, mais descolado e para quem prefere o agito e a descontração da vida noturna.

Trens ganham melhorias na classe executiva
A Via Rail, empresa que opera as linhas de trem no Canadá, iniciou um processo de modernização da classe executiva nos trens que utilizam o corredor do Leste canadense. Os 26 vagões da linha que cruza as províncias de Ontário e Quebec ganharão, até outubro, novos lounges e mais espaço. Nas estações que compõem o corredor Leste (Quebec City-Windsor, em Toronto, Ottawa, Montreal, London, Dorval, Quebec City e Kingston), todos os lounges foram reformados. Os espaços contam com bebidas não alcoólicas, revistas e jornais, estações de trabalho e wi-fi grátis. Em Montreal, Toronto e Ottawa, os lounges têm um centro de negócios com computadores e impressoras. Em Toronto, os viajantes também terão acesso a uma área separada para reuniões urgentes.

A bordo, os viajantes passam a ter uma série de amenidades como toalhas quentes, bebidas não alcoólicas, lanches e um serviço de bar incluso. As refeições na classe executiva podem ser escolhidas a partir de uma seleção gourmet entre frias e quentes, além de vinho. O acesso ao wi-fi passa a ser grátis em todos os trens do corredor Quebec City-Windsor. Além disso, assentos com suporte lombar foram instalados para trechos de longa distância. O trem também passou a contar com configuração dois-por-um, com um assento a menos por fileira, que proporciona mais espaço.

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Eduardo Gregori

Sou jornalista, viajo profissionalmente e por prazer. Também sou cantor e DJ. I am a journalist and a profesional and leisure traveller. I also sing in weddings and DJ

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