Zermmat no Verão dos Alpes

A Suíça é um destino de luxo, principalmente para quem chega de países cuja moeda não é o Euro. Apesar de o franco suíço ter uma cotação um pouco abaixo da moeda da União Europeia, os preços, nem de longe, lembram os de destinos norte-americanos, ou até mesmo de europeus como Portugal e Espanha. Porém, mesmo tendo que reforçar o orçamento de viagem, o destino vale cada centavo investido nele. A Suíça, conhecida por sua neutralidade, sigilo bancário e por ser a guardiã de muitas fortunas — inclusive de brasileiros —, também é dona de uma natureza esplendorosa, que deve ser apreciada não apenas no Inverno, quando está recoberta de neve, mas também durante o Verão, quando o sol invade a paisagem, revelando belezas que só podem ser vistas durante os dias mais quentes do ano. A pequena Zermatt, meca do alpinismo e conhecida mundialmente pela Matterhorn, montanha símbolo do chocolate Toblerone, é um exemplo. Se durante o Inverno os roteiros envolvem o esqui e a gastronomia elaborada para aquecer o corpo, no Verão, o visitante é convidado a explorar seus arredores, seja em uma revigorante caminhada, ou em pedaladas de mountain bike com vistas de tirar o fôlego, ou ainda, no simples e básico ócio, de sentar-se em algum de seus cafés e deixar o tempo passar vagarosamente enquanto se degusta o melhor da gastronomia suíça.

Zermatt fica a aproximadamente 161 quilômetros de Zurique, principal porta de entrada do país. Quem parte do Interior paulista pode embarcar em Viracopos em um voo para Lisboa, e de lá fazer conexão para Zurique. De Cumbica, a companhia aérea Swiss opera voos diários, sempre diretos. Com o sistema de trens mais desenvolvido do mundo, a Suíça pode ser percorrida de ponta a ponta através de linhas férreas e por isso, a melhor maneira de chegar em Zermatt é de trem. E não é preciso se preocupar em desembarcar no aeroporto e procurar a estação nos arredores da cidade. Todo o sistema de transporte, incluindo o aeroporto, é integrado. Logo na chegada é possível ver a sinalização que indica em qual andar do próprio terminal fica a estação de trem. O trecho entre Zurique e Zermatt leva aproximadamente 2h30 e não é feito diretamente. Também não é preciso se preocupar com a bagagem. Em Zurique ela será etiquetada até o seu destino final, apesar de os passageiros precisarem fazer uma troca de trem. Marinheiros de primeira viagem ou turistas atentos com itinerários um pouco mais complicados devem relaxar. Tudo é muito bem sinalizado e, caso ainda haja dúvida, basta perguntar ao oficial que percorre o trem durante toda a viagem.

Agitos e comprinhas
Apesar de Zermatt convidar o turista a passar os dias degustando fondue de chocolate, tomando vinho e saboreando os mais variados tipos de queijos, a cidade tem outros atrativos tão interessantes quanto. Para o visitante que gosta de aventura, há roteiros de escalada, caminhada, ciclismo e passeios a mais de 4 mil metros de altitude, para a contemplação de geleiras e montanhas. Um dos passeios mais interessantes passa pela produção, quase que artesanal, do queijo alpino. O tour, na cidade vizinha de Visp, inclui visitação ao pasto onde as vacas são tratadas praticamente a pão de ló; área de coleta e processamento do leite e preparo do queijo. O passeio é encerrado com uma degustação de vinhos e queijos.

Quem gosta de compras, não irá encontrar shoppings em Zermatt. Porém, há uma quase infindável quantidade de lojas na rua principal da cidade e muitas delas de grifes internacionais. Por ali se encontra de tudo, do tradicional relógio suíço ao artesanato típico da região e, claro, o famoso e amado chocolate suíço. À noite, as compras dão lugar a um certo agito. Enquanto gourmands podem se deliciar em restaurantes estrelados pelo Guia Michelin, quem curte baladinha pode ir a um local conhecido como Triângulo das Bermudas, com uma série de bares e até um pequeno clube noturno. O local fica repleto de turistas durante o Inverno, mas no Verão também há bastante movimento. E quem viaja solteiro, o Triângulo das Bermudas é um lugar para encontrar romance, nem que seja um amor de Verão, europeu, é claro.

Serpenteando as montanhas
Os trens suíços são muito confortáveis. Assim que deixam a estação e começam a ganhar velocidade, já na periferia de Zurique, o que impressiona não é a modernidade do meio de transporte — tão almejado pelo Brasil —, mas a beleza natural que passa pela janela. Apesar de parecer cansativo ter que viajar por quase três horas até Zermatt, além das outras 11 do voo, a visão das montanhas, planícies, fazendas e povoados compensa qualquer canseira. As ferrovias rasgam a paisagem suíça passando por lugares que, em muitas vezes, fazem lembrar o filme A Noviça Rebelde. Para a alegria dos passageiros, o trem perde velocidade em subidas e ao serpentear as montanhas, o que dá a oportunidade de fotografar com calma paisagens deslumbrantes e únicas.

Apesar de todo romantismo da viagem, é preciso estar atento, principalmente à passagem. A cada trecho, um oficial passa pelo vagão e solicita ao viajante apresente seu tíquete ou o Swiss Pass. Caso o passageiro não o apresente, é penalizado com uma multa salgada e só poderá deixar a Suíça após o pagamento. Outro detalhe é que todo serviço de bordo é pago, nem mesmo a água é servida gratuitamente. Um troller com bebidas quentes, sucos, refrigerantes e sanduíches passa pelos vagões e quem quiser algum item, pode pagar em efetivo ou com cartão de crédito. Após quase três horas entre as montanhas, a chegada a Zermatt tem charme de sobra. Da estação partem carruagens e carrinhos elétricos para os hotéis. Em Zermatt não existem automóveis e por isso, andar pelas ruas é muito tranquilo e seguro, além de mais saudável.

Queijo Suíço sendo preparado em Zermmat

Swiss Pass
Se a melhor maneira de conhecer a Suíça é de trem, a forma menos dispendiosa de se aproveitar os passeios é com o Swiss Pass, um passaporte que inclui viagens no sistema de transporte público. A rede possui, no total, 26 mil quilômetros, incluindo linhas de trem, ônibus e barco em todo o território suíço. O Swiss Pass tem diversas modalidades, entre elas bilhetes all-in-one, que permitem viagens ilimitadas. O passaporte é vendido na internet e em todas as estações de trem na Suíça. Além disso, o bilhete oferece acesso livre a meios de transporte público em 75 cidades, ingresso livre em mais de 480 museus, desconto de 50% na maioria dos teleféricos e trens de montanha, programa de desconto para pernoites em hotéis, visitas guiadas a cidades e passeios. Informações em www.myswitzerland.com/pt/swiss-pass-pt.html

Explorando a cidade
Zermatt é uma típica vila suíça na região do Cantão de Valais, cuja língua predominante é o alemão, mas também fala-se italiano e francês. A 1,6 mil metros de altitude, a cidade fica aos pés dos picos mais altos da Suíça e, por isso, é tão procurada por alpinistas, esquiadores e também por quem busca descanso, uma vez que se converteu em um destino com os melhores spas do mundo. Quem visita Zermatt durante o Verão não deve esquecer de colocar na mala um bom agasalho. A temperatura pode chegar aos 30 graus centígrados em um dia ensolarado, mas é preciso lembrar que a cidade fica na montanha, então dias chuvosos e frios também fazem parte do clima nesse período do ano. O turista deve ter sempre a mão um guarda-chuvas, ou corre o risco de ficar molhado. Às vezes, um dia que começa ensolarado, pode se transformar em chuvoso e, assim como a chuva vem, vai embora. Durante a noite, a temperatura cai e pede um casaco mais quente para quem vai para a rua e um edredom para dormir confortável e aquecido.

Veja as fotos de Zermmat

Bem agasalhado, com calçados confortáveis, munido de câmera fotográfica e um guarda-chuvas, é hora de conhecer a cidade. Para começar, um tour pela história do município revela detalhes de como viviam seus primeiros habitantes, cujas casas resistiram ao tempo, permanecendo de pé séculos depois. Bem no Centro, luxuosos hotéis dividem espaço com um núcleo de moradias históricas, feitas de madeira e erguidas como em palafitas, para evitar a entrada de ratos e outros bichos. Caminhando pelas vielas, se depara com construções rústicas, que mais lembram chalés, com quartos no andar superior e cozinha e outros espaços no térreo. Outras casas, bem pequenas e amontoadas umas nas outras, têm apenas um pavimento e estão assentadas longe do solo, também para proteção do frio, que é intenso durante o Inverno. Perto das antigas construções fica a fonte dedicada a Ulrich Inderbinen, guia local apaixonado por Zermatt e pela Matterhorn, a mais elevada montanha suíça. A figura da montanha paira sobre a cidade, sendo possível avistá-la de qualquer parte. Inderbinen subiu a Matterhorn mais de 370 vezes e sua última escalada foi realizada quando tinha 90 anos de idade. Ele morreu em 2004, aos 104 anos, e hoje é um dos símbolos de Zermatt e da devoção pelo alpinismo.

Perto da fonte também fica o prédio que serviu, há muitos anos, como escola de inglês para os guias locais. Falando apenas o idioma da região, muitos guias tiveram que aprender inglês para levar turistas e outros alpinistas até a Matterhorn. Um lugar interessante para visitar é o memorial dedicado aos alpinistas estrangeiros que morreram tentando conquistar a gigantesca montanha. Os corpos de aventureiros de várias nacionalidades estão enterrados no mesmo terreno da igreja de São Maurício e suas sepulturas podem ser visitadas durante todo dia, ou à noite, já que estão nos jardins da igreja. Uma visita ao templo é imprescindível. A imponente construção foi erguida como um simples local de adoração ainda no século 13, e desde então foi se transformando através de diversas reformas. A igreja, que já foi de estilo italiano, teve altares góticos, que mais tarde foram substituído por peças barrocas. No século 20, ganhou em definitivo sua forma atual, pelas mãos do arquiteto Adolf Gaudy. O templo passou a contar com um grande relógio na torre e um órgão, além de novos sinos. Na comemoração de seus 700 anos, em 1980, foi novamente reformada e passou a abrigar relíquias históricas.

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Por fim, o turista não pode deixar a cidade sem antes visitar o Matterhorn Museum. O local retrata fielmente Zermatt, ainda como uma pequena vila na montanha. Igreja, hotel, casas e animais contam a trajetória da cidade, destacando a conquista da Matterhorn pelo inglês Edward Whymper, em 1865. No acervo também está uma das duas pedras que o astronauta Claude Nicollier recolheu do pico da montanha, e que foi levada ao espaço pela nave Endeavour, em 1993. Para entrar no museu o visitante paga 10 francos suíços, aproximadamente 8 euros. Um dos mais tradicionais hotéis de Zermatt, o Grand Hotel Zermatterhof foi inaugurado em 1879 bem na região central da cidade. São 78 suítes, todas com vista para as montanhas e, algumas delas, para a Matterhorn. O empreendimento conta com uma área de bem-estar Vita Borni, que inclui piscina, sauna paisagística, salas de tratamentos e spa privativo para casais. O Zermatterhof tem dois restaurantes: o Prato Borni dispõe de culinária internacional em estilo francês, enquanto o Lusi serve pratos com toque Mediterrâneo.

Eduardo Gregori

Sou jornalista, viajo profissionalmente e por prazer. Também sou cantor e DJ. I am a journalist and a profesional and leisure traveller. I also sing in weddings and DJ

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