Gorjeta: sim ou não?

A resposta para esta questão seria sempre sim. Mas a realidade cultural do Brasil é bem outra. Historicamente não herdamos ou simplesmente esquecemos do hábito de dar gorjeta. Há quem não deixa mesmo e acha ruim quando é cobrado. Outros até deixam, quando são lembrados. Esse assunto não é exatamente culpa nossa. Talvez porque paguemos tantos impostos e também porque existam estabelecimentos que cobram e outros não.Fomos meio que deixando esse assunto pra lá, de qualquer jeito, daquele tipo: resolva você na hora.

Da mesma maneira que não existe uma cultura do trabalhador que se sente ultrajado quando alguém não lhe deixa uma gorjeta. Não é nada normal a gente pensar em gorjeta no cotidiano. Ou será que, quando saímos de um táxi, normalmente deixamos para o motorista uma caixinha além do que o taxímetro mostra? Se você parar pra pensar, a gente ainda briga com o motorista quando acredita que o valor está mais caro do que o normal. Mas a questão é que estamos viajando mais e muito para o Exterior. Uma coisa é a cultura local, do país onde vivemos, em que sabemos como as coisas funcionam. Mas como será em um país estrangeiro?

É nesse ponto que muitos de nós viajantes erramos feio e pior, somos considerados um povo mal educado. Um amigo que trabalha em um hotel em Nova York, me disse que o brasileiro é visto por lá como um povo sem educação. A questão da gorjeta, especialmente nos países da América do Norte, é muito séria. Os trabalhadores contam com ela para compor o salário mensal. E não é apenas no hotel, mas no táxi, no restaurante, no café, etc. Ou seja, toda essa cadeia de trabalhadores espera receber alguns dólares depois de prestar algum serviço. A gorjeta é vista nos países em que faz parte da cultura popular, como uma forma do cliente reconhecer o atendimento. Quando não deixamos nada, literalmente estamos dizendo ao profissional que o serviço dele foi péssimo.

Muita gente me pergunta se a atitude de dar gorjeta é uma questão de etiqueta. Bem, a etiqueta nos orienta sobre as regras de conduta social, mas o ato de dar um agrado àqueles que nos prestam serviços, é muito maior que isso, está arraigado na cultura, na maneira das pessoas. É estranho eu sei, pensar que a cada serviço temos que tirar alguns trocados da carteira e simplesmente entregar assim, do nada. Para ilustrar essa cultura não existe um ditado melhor: “em Roma faça como os romanos” Ou seja, se o país que você visita tem a cultura da gorjeta, não seja diferente. Não sai tão caro reservar um orçamento para isso e no final das contas o atendente vai ficar feliz e se esforçar para trabalhar melhor, não vamos perpetuar a fama de mal educados mundo afora e nem pagar o mico do trabalhador cobrar na cara dura e na frente de todo mundo. Guarde uns trocados e seja gentil!

Eduardo Gregori

Sou jornalista, viajo profissionalmente e por prazer. Também sou cantor e DJ. I am a journalist and a profesional and leisure traveller. I also sing in weddings and DJ

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